FRAN MARTINS – Diário do Nordeste

Tive a honra de ser aluno de Direito Comercial do professor Fran Martins, na Faculdade de Direito da UFC. Tive a alegria de abrir e manter escritório no mesmo andar do seu, no edifício Jalcy, na Guilherme Rocha. A par disso, havia nele um duplo. Não bastava ser um grande mestre, autor de vários livros jurídicos, entre eles, o “Curso de Direito Comercial” que está hoje, 2013, na 36ª. edição.
Ele tinha na construção da sua personalidade literária um outro eu, um ficcionista que, segundo C.A. Viana: “segue a trilha da concisão; os períodos curtos desencadeiam o predomínio de blocos narrativos cujas construções tendem a períodos compostos por coordenação …”. Foi desse modo que o jurista conciliou a sua ficção neo-realista em “Ponta de Rua”, “Poços dos Paus”, “Mundo Perdido”, “Estrela do Pastor”, “O Cruzeiro tem Cinco Pontas”, “A Rua e o Mundo” e “Dois de Ouro” com a criação de uma visão técnica e didática do Direito Comercial; analisasse a Falência, dissertasse sobre as Sociedades por Quotas, desvendasse o Cartão de Crédito e empreendesse novos caminhos sobre o Direito Societário.
Se isso não basta, foi o único Diretor-Editor da revista Clã, desde o inicial, 1948, até o 29, 1988. Acresça-se ter dirigido o jornal O Estado.
Quinta, 13.05.2013, foi a data do centenário de nascimento desse homem plural, quase sisudo, mas cordial que, em 1996, nos deixou. As suas obras não mergulharam no limbo. Pelo contrário, formam um clã vivo de sucesso.

João Soares Neto,
escrito
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 16/06/2013

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