FUTEBOL DO BRASIL – Diário do Nordeste

Deve haver alguma resposta para a distância que separa empreendedores dos clubes brasileiros. O que se sabe é que os clubes vivem de patrocínios de grandes marcas, dos governos federal (Caixa, Banco do Brasil, Petrobrás e outros), estaduais e até de endividados municípios. Além das altas cotas pagas pela televisão que, em contrapartida, determina os horários dos jogos ao sabor de sua programação.
A maioria dos clubes tem pendências fiscais e trabalhistas, o que míngua o pagamento de suas infladas folhas de pagamento. A entidade que comanda o futebol esteve no foco de comissões parlamentares de inquéritos que se esvaíram pela magia de intervenções e interesses
Agora, neste final de 2013, última rodada do Brasileiro, série A, houve cenas de mútuas agressões por torcidas organizadas. Elas repercutiram na mídia mundial com queixas à segurança dos estádios e relembraram os movimentos populares que marcaram a Copa das Confederações.
A nação e o povo brasileiro precisam analisar as razões do afastamento da sociedade das diretorias dos times que nos representam. As várias séries são arquitetadas para ocupar o ano e deveriam servir para a descoberta de novos neymares. Júlio César, o goleiro veterano e preferido, está em clube inglês da segunda divisão. Éderson, 24, o cearense artilheiro da Série A, sequer está cogitado.
Sabe-se que a Copa do Mundo é uma espécie de “Fórmula Um”. A diferença é ser a cada quatro anos. Exige tudo do país-sede e nada dá em troca, exceto obras, cumprimento de reeditados cadernos de encargos e arrogância.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 15/12/2013

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