FUTEBOL E GESTÃO – Diário do Nordeste

O Brasil está cheio de estádios novos. Caros de manter. O Brasil está apinhado de dirigentes ultrapassados, dos clubes da terceira divisão ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Caros de manter.
As “arenas” precisam de novos gladiadores, menos mercenários, de novos espectadores, não os do tipo romanos a pedir sangue ou a causar mortes. Precisam de novos árbitros, não os de encomenda, a decidir partidas em lances dúbios. Precisam de oxigenação, não de pelegos, como os das entidades sindicais e os de algumas patronais. Precisam de novos anseios, metas e resoluções. Não as engendradas pelo compadrio, uma das maiores doenças endógenas da pátria mamada. Desculpe, amada.
Faz tempo, o Brasil roda em círculos com as mesmas pessoas a usar clubes e entidades para ascensão social e financeira, posar na mídia amistosa, criar afinidades, aqui e alhures, comandar viagens e até causar desvios graúdos, com repercussões internacionais e acordos ajuizados a encobrir ‘comissões’ polpudas em transações não públicas.
Hoje, aposentados, políticos e policiais, ocupam postos de direção dos maiores clubes e de entidades. Nada contra, mas por quê? Quem quiser confirmar o dito, entre nos sites dos clubes e veja a formação de seus dirigentes.
As “arenas” novas foram impostas pela Federação Internacional de Futebol, uma espécie de ONU sem obrigações e muitos direitos. Seus dirigentes posam de estadistas e trafegam fácil entre governos. A cada quatro anos há um leilão para a escolha do local da próxima Copa do Mundo. Cobram tudo e dão nada. A propósito, você lembra quando e onde o Brasil ganhou a última Copa?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 10/03/2013

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