O futebol brasileiro já não é o melhor do mundo. Campeão em 1958. O último, 2002. Afora isso, a gestão dos clubes é primária. “Bicheiros”, que comandam os carnavais do Rio e de SP, demonstram melhor organização. O futebol teve CPI, há acusações aqui e alhures contra ex-dirigentes da CBF. O atual parece ter saído da aposentadoria para comandar, atarantado, o caos. As federações são feudos de donatários. Os clubes, deficitários e anárquicos. Violência nas torcidas. As televisões determinam a hora dos jogos.
Foi-se o tempo em que jogadores tinham identidade com clubes. Pelé, no Brasil, só jogou Santos. Jogadores viraram mercadoria para “empresários”. Mudam de clubes, saem, voltam e só o dinheiro lhes interessa. Árbitros decidem partidas com expulsões, penais e fica nisso. Ronaldo Nazário criou firma na área e faz parte do comando da Copa de 2014.
Tal como aconteceu na África do Sul, a Copa causa escândalos e estragos na economia. Estádios que funcionavam foram demolidos em nome de modernidade fajuta que inclui camarotes e frivolidades. O Brasil tinha mais com que gastar esses bilhões. Posar de rico, como? Estradas e vias ruins. A dengue grassa. Educação fraca. Há carência de esgotos nas capitais e as favelas, surgidas e consolidadas pela discriminação, mostram a passividade de governantes, no passado e agora. Hospitais superlotados e sucateados. Mortos nos corredores. Indústrias e construtoras de obras públicas viram sócias do Governo, via BNDES. A cúpula “Rio+20” comprova agora a voracidade dos hoteleiros. Com será em 2014?
João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 20/05/2012.

