FUTEBOL NO JUNHO BRASILEIRO E O PAPA, NO RIO, EM JULHO – OE

O Brasil, desde o governo passado, resolveu patrocinar três eventos esportivos internacionais, dois de futebol – as copas das Confederações, neste ano de 2013, a do Mundo, em 2014 – e, as Olimpíadas, em 2016, no Rio.
Assim, por um bom período, o país vem se preparando para esses acontecimentos. Mandaram destruir todos os grandes estádios das maiores cidades brasileiras, como se dinheiro sobrasse, tudo estivesse errado, e exigiram outros novos(arenas) no padrão Fifa, com cadernos de encargos definindo tudo. Até a largura das cadeiras, posicionamento dos reservas e aboliram os alambrados protetores que separavam o público do campo de jogo. Deus queira que não ocorram invasões.
Trocaram os alambrados por muitos seguranças. Pediram obras de mobilidade urbana para os acessos a essas novas “arenas”. Enfim, o Brasil está cumprindo, do jeito que pode e sabe, essas exigências múltiplas.
A palavra confederação parece pouco ajustada para a Copa de futebol que, na próxima semana, se inicia no Brasil. Confederação significa, segundo o Aurélio, “uma reunião de diferentes Estados que, embora conservando a respectiva autonomia, formam um só, reconhecendo um governo comum.” Levada essa ideia, lato senso, para o esporte comandado pela Fifa – Federação Internacional de Futebol Associado pode ser admissível. Forma-se um elo entre as confederações continentais a ela submetidas, porém uno na gestão “fifiana”.
Ela estabelece as regras para os países que aceitam realizá-la. No duro, não seria um plano comum, mas delineado pela Fifa, com sede em Zurique, Suiça.
Ela planeja, coordena, controla, veicula,comercializa e aufere resultados com a modalidade futebol em todo o mundo, com copas diferentes, ano após ano, em todos os continentes.
Alguns estudiosos entendem que dois, três ou quatro jogos em uma cidade, televisionados para todo o mundo, inclusive para as próprios locais onde serão realizados, mudarão a economia e trarão milhares de turistas sequiosos para gastar o seu dinheiro em hotéis, refeições, compras,diversões e locomoção.
Dizem que a totalidade do arrecadado com os ingressos, com a exploração dos direitos de imagem e outros, irá para a Fifa, que distribuirá quotas entre os participantes. Olhando um pouco para a ficção temo uma eventual resposta negativa ao que se espera acontecer. No quesito aluguéis de casas e apartamentos já houve uma desengano geral. Muitos pensavam que conseguiriam milhares de reais, esquecendo que os hotéis estão disponíveis por poucas centenas de reais pela curta estada e, ainda mais, que os prováveis 10% de estrangeiros virão respaldados por pacotes de viagens dos seus países de origem, inclusive receptivos.
Há um bom filme uruguaio- francês- brasileiro, de 2007, “O Banheiro do Papa”, produzido, entre outros, por Fernando Meireles e dirigido a quatro mãos por Cesar Charlone e Enrique Fernandez que parece se ajustar a alguns momentos vividos por brasileiros sôfregos em lucrar com os eventos.
A película, baseada em fato real, mostra o alvoroço da pequena e carente cidade uruguaia de Melo, perto da fronteira com o Brasil, com a futura chegada do Papa João Paulo II, em 1988. No filme são usadas imagens de arquivo, como a verdadeira chegada de João Paulo II e a exploração política do fato.
A maioria da população pobre de Melo acredita que será uma oportunidade para ganhar dinheiro. Fazem planos e passam a produzir linguiças, algodão doce, bebidas, comidas e tem até um personagem que resolve construir, com toda a poupança da família, um banheiro para os necessitados. Mais não conto. A propósito, o Papa Francisco I, chega em julho ao Rio para diálogo com os jovens. É outro evento, este de resgate religioso. Cuidado com o “fator Melo”.

João Soares Neto
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07/06/2013.

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