GARY VAUSE – Diário do Nordeste

Quando ninguém acreditava que a China seria a potência hoje reconhecida, William Gary Vause, então Vice-Dean da Stetson University, nos EEUU, resolveu estabelecer um intercâmbio de estudantes com o fechado governo chinês. Era o começo da década de 80 e ele parecia saber o que fazia. Havia estudado mandarim, a língua da cultura sino, quando servira, sem dar um tiro, ao Exército dos Estados Unidos, em tempos da Guerra da Coreia.
Finda a guerra, estudou em Yale, doutorou-se em direito, fez concurso para entrar na Stetson e focar em comércio internacional. Vencendo barreiras, resolveu passar seis meses na China de Mao. E não foi só, levou sua mulher, Celia, minha irmã. Depois repetiram a dose, passando mais alguns meses em Pequim e Guangdong , para incrementar o intercâmbio de estudantes que floresceu e deu frutos. O intercâmbio foi passo forte para o reatamento das relações comerciais e culturais entre os EEUU e a China. E, depois, com o mundo.
Gary Vause morreu de câncer aos 60, em 09 de maio de 2003. Era Reitor da Stetson e concluíra um novo campus em Tampa. Estive no funeral dele. Este artigo é uma homenagem, nos 10 anos de morte desse homem que viu uma ideia prosperar e abrir caminhos para as relações chinesas com o mundo.Poucos sabem disso, ele era sereno. Ex-alunos seus hoje são advogados chineses proeminentes. Seu livro “Internacional Trade and Investment” – Comércio Internacional e Investimento, em inglês e mandarim, publicado em 1982 pela Guangdong Publishing, é prova inconteste de seu descortino.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 26/05/2013.

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