Mexeram demais com o Brasil. A maioria perdeu a fé no que está aí e no que pode vir. A ainda jovem democracia brasileira mereceria uma refundação. Como seria? Um pacto social com regras definidas por representantes de todas as áreas do conhecimento, dos políticos com mandatos, do empresariado, dos trabalhadores e da sociedade, incluindo as minorias.
Utopia? É preciso ousar e sairmos do charco. Todas as pesquisas, as acreditadas e as nem tanto, mostram o impasse a que chegamos, a sociedade. Como diz o vulgo:
precisamos de um freio de arrumação. Remendos não resolverão. A administração do Brasil, nesta crise, não pode prescindir de pacto orgânico, liderado, quem sabe, pela cúpula dos três poderes.
Ora, direis, há neles frutas podres. Serão expurgadas, naturalmente, pela conjunção e a vontade do povo.
A indústria nacional, que deveria ser o carro chefe do nosso desenvolvimento, teve uma variação negativa da produção, até o 3º trimestre de 2015 em relação ao mesmo período do ano de 2014. É alarmante: 11%, a fonte é da Unido, órgão da ONU, compilada pelo Iedi Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. É bom lembrar que a indústria é a área mais beneficiada pelo BNDES. O Brasil está na última classificação nessa área.
Somado ao caos político, isso demonstra o imperativo de uma concertação nacional, que não pode tardar. Este mero artigo pode não ser o condão a deflagrar o processo, mas a democracia não é apenas arte e manha. “Ela não corre, mas chega segura ao destino”, Goethe. Feliz 2016.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 03/01/2016

