JOVENS, ESTUDOS, CONCURSOS E VIDAS – Jornal O Estado

O mundo deu um giro em seu eixo e eis que jovens, sem oportunidade de colocação – ou seria de qualificação? – em empresas privadas, viraram “concurseiros”. São milhões em um país que se ressente de bons profissionais em todas as áreas. Mal acabam de terminar o secundário e alguns estão sequiosos para voos menos longos. Outros, de posse do bacharelado nas várias profissões, aventuram-se em caminhadas mais duras e varam o Brasil de ponta a ponta a busca da segurança que o emprego público parece, ainda, oferecer. Vão à procura de tudo, e nada será tão fácil como dizem. A propósito, foi aberto o edital para fiscal do ICMS em SP, com 885 vagas, 12 mil mensais. Exige superior completo em qualquer área. É preciso garra, coragem e estudo. Esse fato não acontece só no Brasil. Na Itália, em crise, novembro passado, houve um concurso para 11.500 vagas de professor de escolas públicas. Foram inscritas 321.000 pessoas. A fonte é do NYT.
A esses concurseiros desejo boa sorte, mas os desafio a pensar um pouco em suas próprias vidas. Será que os seus estudos, desde o fundamental, foram levados a sério? Ou, só agora, após distribuir currículos com amigos, parentes, empresas, jogá-los nas mídias sociais e agências de recursos humanos é que descobriu a deficiência da própria linguagem, abismado com o que exigem e a concorrência? Não é mais diferencial ter conhecimentos básicos de informática, é obrigação. É preciso ter foco e saber o que se deseja da vida ou na vida. Matricule-se nos bons cursos que complementam a sua formação não tão burilada e apreste-se a estudar muito para que o tempo não corra mais que os seus sonhos.
Não estou sendo rigoroso, apenas falo com você (ler jornal deve ser um hábito e um ato individual). Se alguém lhe passou este escrito é porque aspira o seu bem. Há tanta oportunidade para os que estão abertos a desafios, mas é preciso a contrapartida dos seus fundamentos, os seus alicerces escolares. E da formação ou educação recebida em casa. Edmundo De Amicis, escritor italiano, dizia, a propósito que “a educação de um povo pode ser julgada, antes de mais nada, pelo comportamento que ele mostra na rua. Onde encontrares falta de educação nas ruas, encontrarás o mesmo nas casas”.
Reveja-se e acredite que se algum amigo seu conseguiu ser aprovado no concurso que você cobiça, é hora de trocar ideias com ele. Saber quantas horas ele estudava por dia, como era o histórico escolar dele ou se foi fruto da sorte. A sorte é o acaso. Não seja aquele que desiste fácil, concentre-se e dê um tempo nas baladas, nas cervejotas, nos “rachas” de futebol, no casamento ou acasalamento e encontre companhias que tenham sonhos audaciosos, iguais ou maiores que os seus. Garcia Lorca, apesar de poeta, dissente de mim quando dizia: “A vida não é sonho. Acorda! Acorda! Acorda!” Rebato o Lorca com Guimarães Rosa, através do Riobaldo, seu personagem em “Grande Sertão, Veredas”: “Um sentir é o do sentente, mas o outro é o do sentidor”.

João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18/01/2013.

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