KENNEDY, 40 ANOS DEPOIS

Ontem, 22 de novembro, fez 40 anos que John Fitzgerald Kennedy morreu. Todos lembram ou ouviram falar do fato acontecido em Dallas, Texas. Eu tinha 21 anos e, com a vaidade boba dos jovens, orgulhava-me de ter ganho, por concurso, uma bolsa de estudos para os Estados Unidos. Era uma bolsa privilegiada e, ao final, incluía uma visita à Casa Branca. Não aos seus corredores, mas um encontro nos jardins internos com o Presidente, o jovem quarentão John Kennedy.
Pois bem, fomos todos de paletó e gravata falar com o homem. Ele nos recebeu de terno azul marinho, camisa branca e gravata vermelha. Alto, olhos miúdos com rugas ao redor, sardento, louro, jeito descontraído, parecendo estar à vontade. Era a época da “Aliança Para o Progresso”, angariando simpatias e fustigando Fidel Castro, que já incomodava Washington.
A conversa foi amena, fotos tiradas, gravação pela Voz da América, apertos de mão trocados e saímos todos com os nossos minutos de glória. Não é todo o dia que se é recebido pelo Presidente. Voltamos ao Brasil em agosto e aqui as coisas já esquentavam. João Goulart sofria pressão por “reformas de base” e os militares começavam a se articular. Mas isto é outra conversa.
Exato no 22 de novembro de 1963 estava eu escrevendo na redação dos Diários Associados, em Fortaleza, quando chegou a notícia do assassinato de Kennedy. Foi um alvoroço geral e eu ajudei a compor a matéria. Meses depois, conheci uma moça, funcionária do Dnocs, que estava em Dallas no dia do atentado. Explico: o Dnocs fazia a manutenção de um avião seu em Dallas e ela, amiga do piloto, pegara uma carona. Ocorre que, Lee Oswald, suposto matador de Kennedy, quando era levado à prisão, foi assassinado diante das câmeras. Ela me disse que assistia à TV quando reconheceu Jack Ruby, com quem havia dançado em uma boite. De repente, Ruby puxou de um revólver e matou Oswald. Soube-se depois que Ruby seria ligado à Máfia. Mundo pequeno.
Voltando à história, tem-se hoje quase certeza de que Lee Oswald, foi tido – e mantido – como o assassino oficial de Kennedy, mas o seu rifle de 13 dólares, não teria a precisão de dar os três tiros fatais, especialmente o último que destruiu o crânio do Presidente. A versão atual é que o real homicida foi o corso Lucien Sarti, contratado pela Máfia. E como a memória é episódica, tudo isso me fez lembrar o caso dos compadres (por procuração, via consulado) nordestinos dos Kennedy. Zé chegando alvoroçado da roça e dizendo para Maria: “Mataram compadre Kennedy.”. E Maria respondendo aflita: “Como ficará a comadre Jacqueline?” Pois é…

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 23/11/2003.

Sem categoria