LEGADO DE PAI – Diário do Nordeste

Filhos nascem do amor ou do fortuito. O filho é apenas parte do pai, tal como parte da mãe, esse ser tão decantado, protegido e incensado.
O pai, quase sempre, é ser periférico, mesmo se a relação familiar perdura. Não há como competir com a gestação e a amamentação, preceitos maternos, únicos.
São laços que a neurociência tenta explicar e ainda não sabe. O pai foi, até algum tempo, o único provedor da família e isso implicava em estar menos tempo presente que a mãe no processo de educação dos filhos. Amor não se mede em tempo.
Atualmente, a história soa diferente do que fora no passado. Hoje, o razoável é casar com separação de bens, pois ambos trabalham e o eterno pode ser efêmero.
Todos coabitam na boa expectativa, mas a convivência faz estragos, além dos danos que a vida impõe.
Não vivemos em sonho, somos reais até quando sonhamos. Vai daí que a relação entre o pai e os filhos depende, em grande parte, do comportamento da mãe e da sua afinidade, madura, com o pai.
Posto isso, refiro que o legado do pai é a sua própria vida, a sua história pessoal e a abnegação aos filhos que, por amor, foram gerados.
Hoje, 16º ano do século 21, há mudanças de paradigmas. Há filhos de duas mães e filhos de dois pais. Não importa. Se amor houver e se cada um fizer a sua parte.
O que valerá é o legado, não o de bens, mas de bons gestos, ações e de atitudes. Foi-­se o tempo em que casamento era ofício de mulher.
Amanhã será mais um Dia dos pais. Parabéns a todos.

João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/08/2016.

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