“A Terra é insultada e oferece flores e frutos como resposta”. Rabindranatah Tagore (polimota bengali), prêmio Nobel de Literatura, 1913.
Comemoramos há pouco a Semana Internacional do Meio Ambiente e da Ecologia. Preservar o meio ambiente é uma preocupação recente da humanidade. Quando o cientista Charles Darwin concluiu que somos frutos da evolução das espécies e não, segundo ele, de algo sobrenatural, os homens tomaram conhecimento de que tinham de cuidar, por sua conta e risco, de sua casa, o planeta Terra. Até o papa Francisco acaba de se render à teoria evolucionista. Para ele, Deus rege tudo. Na vida real, tomar conhecimento do problema é diferente de tomar consciência, pois esta precisa de sedimentação, discussão, transformação em uma ideia política e disseminação.
A essa ideia política se deu o nome de Ecologia, palavra roubada do grego “oikos”- casa ou habitat – e de “logos” que significa estudo, reflexão. Assim, a Ecologia pode ser entendida como o estudo das relações dos organismos uns com os outros e com todos os fatores naturais e sociais que compreendem o seu ambiente. Definido esse juízo, a humanidade começou a viver, no século passado, especialmente em seu último quarto, uma luta renhida para difundir, de forma clara e lúcida, o que eram e para que serviam os seres vivos, a luz, a água, o ar, o solo etc.
A presunção de que éramos ou somos os únicos seres vivos inteligentes não deixa de ser um óbice. O universo é bem maior do que imaginamos. A falta de humildade de encarar o problema, como se todos os recursos naturais fossem inesgotáveis, é produto de conveniências, de um lado, e de intransigências, de outro. A humanidade ainda não aprendeu a conviver em equilíbrio. Guerras e lutas por religião, raça ou poder estão vivas neste século. A Eco-92 e as suas subsequentes neste século 21, em países diferentes, e sob os auspícios da ONU, que pretendiam ser a luz e a salvação dos recursos naturais do mundo nada resolveram.
Hoje, podemos mapear, via Google, todos os continentes com focos de conflito entre etnias, interesses econômicos e religiões. Isso provoca destruição de seres vivos, sejam homens, animais ou vegetais, bem como comprometimento da natureza por seu uso inadequado. As necessidades humanas, mesmo que em áreas pacíficas, cobram da natureza alimentos, casas e mobiliários, que são feitos a partir da agricultura e da indústria.
E, se há necessidades desses bens, a ganância humana não estabelece limites e ignora o conceito de desenvolvimento sustentável: reposição de áreas devastadas de florestas, recuperação de cursos de água contaminados e do ar poluído pelo monóxido de carbono que exala dos escapamentos de bilhões de veículos automotores e das indústrias.
Esta conversa pode não parecer tão agradável para quem está acostumado a jogar ponta de cigarro, papel amassado e latas vazias em todos os lugares, e para os que acreditam que a natureza é a sua lixeira básica. Pessoas já depositam em qualquer tudo o mais que lhes sobra. É preciso que cada pessoa, desde cedo, aprenda a fazer a sua parte, vivendo em harmonia com o meio-ambiente sem molestar todas as criaturas, sejam pessoas, animais ou as do reino vegetal. Cuidar de sua casa, mas pensar na Terra, a casa maior, a Gaia. Parece óbvio, mas não é.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07/11/2014

