LIVROS E CULTURA – Diário do Nordeste

O Brasil compromete-se a gastar mais de um bilhão de reais na compra de livros didáticos para as escolas públicas, ano 2014. O total é dividido entre poucas editoras, mas nem por tal razão a educação vai bem. Alunos do ensino fundamental são quase analfabetos funcionais. Nenhuma universidade brasileira está no ranking das 200 melhores do mundo. A USP, a nossa maior, saiu do 158º posto para a faixa que começa no 226º lugar.
O Ministério da Cultura gastou 18 milhões de reais para coordenar e montar área de 700m2 na Feira do Livro de Frankfurt, neste outubro, e levar 65 escritores. Paulo Coelho esnobou e não foi. Trabalha só, pela imagem dele mundo afora.
O Brasil era o país convidado. Houve confusão nas falas. O escritor Luiz Ruffato falou das origens do nosso país: “Nascemos sob a égide do genocídio”. Outros convidados, os de sempre, ficaram estupefatos com a dissonância. Houve comentários pelo fato de a cultura(Minc) ter mudado, desde 2010, três vezes de titular. Só o “Stand”, de gesso acartonado, chegou perto de R$ 5 milhões.
O fato é que a venda de direitos autorais (Folha, A10, 14,10.13), de todos os brasileiros no exterior, em 2012, foi inferior a R$3 milhões. Com dinheiro gasto a esmo não se conseguirá nunca um Nobel de Literatura. Portugal gastou muitos euros, mas conseguiu premiar José Saramago.
Pergunto: será que o modelo de feiras e bienais de Livro do/no Brasil está superado? Seria ele provocado apenas por editoras e organizadores para públicos apáticos? Vale repensar.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 20/10/2013

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