LUTAS PRIMÁRIAS – Diário do Nordeste

Parece que os tempos andam mudando de verdade. Surge nos Estados Unidos Barack Hussein Obama. Vejam o nome, sugere ligação com o terror do Al Qaeda. Não tem. É filho de um queniano que foi estudar no Havaí, lá se encontrou com uma americana e com ela casou. Ali Nasceu Obama. Se brasileiro fosse, seria mulato. Nos Estados Unidos, ele é negro. O fato, independente de sua cor, é que Obama nasceu dois anos antes de John Kennedy ser assassinado e acontecer o fim legal da discriminação. Sua mãe o levou para a Indonésia onde passou anos. Voltou, estudou na Universidade de Colúmbia e, posteriormente, frequentou a Universidade de Harvard, de onde saiu advogado com louvor. Aos 46 anos, senador pelo Illinois, primeiro mandato, enfrenta Hillary Clinton, também senadora, herdeira política de seu marido Bill e figura proeminente do Partido Democrata que acredita ter chegado a sua vez de retomar a Casa Branca.
As eleições primárias, essas em curso, são uma peculiaridade americana. Custam milhões de dólares e quase nunca apontam surpresas. Neste ano, Obama é a novidade, consegue apoio forte dos jovens que, até bem pouco, não se interessavam em votar, pois lá o voto é opção. É claro que só em agosto sairão os nomes dos candidatos que irão disputar as eleições para Presidente dos Estados Unidos em novembro, mas cresce uma onda de adesões e contribuições financeiras de alto quilate para Obama. E isso só é lógico se os grupos econômicos que o apoiam acreditam na possibilidade de sua indicação e consequente eleição. Ele é casado, evangélico, duas filhas, fluente, articulado, longilíneo e autor de dois livros (Sonhos Desde Meu Pai e A Audácia da Esperança), realmente escritos por ele e são bons. Não se sabe se foi dele a simples frase de duas palavras que está mexendo com a América: nós podemos (we can). Para a turma jovem brasileira seria o caso de dizer que ele está, realmente, podendo. O que ainda não fica claro é como será o desfecho dessa história. Parece cedo demais para já se falar em final feliz.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 17/02/2008.

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