MÃE É PROFISSÃO? – Diário do Nordeste

Oriana Falllaci, escritora italiana, dizia que “ser mãe não é uma profissão; não é nem mesmo um dever: é um direito entre tantos outros”. Hoje, as mães do século XXI, isto é, as mulheres com filhos de até 12 anos de idade, são bem diferentes das que os tiveram antes da Segunda Guerra e das que conceberam durante a Guerra Fria. As que nasceram após 1978, a tal geração Y, hoje comandam, com garra e capacidade, as suas próprias vidas. Essas novas mulheres estudam, correm em parques e trabalham iguais a homens, com quem disputam espaços profissionais.
Não invocam a maternidade como obrigação do casamento ou união. Decidem, sozinhas ou com o (a) companheiro (a), quando será o momento azado para conceber. Se não o conseguem no sentido bíblico, vão à luta em busca de formas outras de reprodução. Sabem bem o que é fertilização “in vitro” e até compram sêmen em clínica de homem que nunca vai conhecer sequer a descendência. Novos tempos e costumes. Há relação sexual programada, inseminação, fertilização, doação – ou venda – de óvulos e sêmen.
Estas constatações não pretendem chocar ou desmerecer as mães que tivemos. Louvemo-las. Mas aclarar a todos da nova realidade que impõe menos preconceito e mais respeito pelo direito alheio de fazer o seu próprio destino. E acabar com a encenação, vitimação e golpe de mulheres livres que, sabedoras de seu momento fértil, deram e dão o golpe da gravidez – desejada – em homens incautos, cúmplices fortuitos da trama urdida, despidos quase sempre de laços afetivos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/05/2012

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