MARKETING E VIDA – Diário do Nordeste

Somos consumidores de tudo: casa, comida, roupas, instrução, transporte, comunicação, cultura e lazer. Compramos por impulso ou após bem pensar? Hoje há uma técnica essencial a influir em nossas vidas, mesmo que não desejemos ou saibamos. Ela é o marketing, sub-ramo da administração científica. Ela passou a ser considerada e levada a sério. É claro que alguns ainda pensam o marketing como mera intuição. Não é assim. Na verdade, as universidades do mundo têm hoje o marketing como um grande chamariz. Existem, mundo afora, gurus, professores e especialistas na área. Deixemos os do Brasil de fora, para não personalizar. Fiquemos com Roger Blackwell, professor na Ohio State University, nos Estados Unidos. Ele, acreditem, é tão bem-sucedido como professor, escritor de livros e conferencista que, por sua conta, gastou sete milhões de dólares na construção de um hotel dentro da universidade só para hospedar executivos que vão ali fazer seus cursos. Blackwell é hipnotizador de multidões e sabe falar das chamadas “forças sociais” que nos levam a escolher um bem ou serviço, mesmo não tendo necessidade dele, tampouco consciência dessa atitude. O marketing passou a ser ferramenta fundamental na atividade política. Não só em tempos de eleições, mas para entender as tendências/carências demográficas, geográficas e econômicas, as tais forças sociais, somadas às nossas peculiaridades como indivíduos e grupos. Sabem os marqueteiros políticos que todos, independente de suas classes sociais, estabelecem atributos/valores às pessoas a partir das informações recebidas. É a tal da imagem pública, diferente da imagem publicada. No Brasil é ainda baixo o número de pessoas que lê jornais e revistas e assimila o conteúdo. Assim, vale o visto e repetido a exaustão, para nos tornar fiel, em sentido amplo, a um (a) candidato (a)s ou a governantes. Jovens tristes acenam bandeiras em esquinas. Começa em 17 de agosto a propaganda eleitoral na TV, rádios, jornais e Internet. Além dela, vão apertar nossa mão, de forma simbólica ou real. Vão mirar no nosso olho a dizer: veja, sou o(a) melhor, mais confiável, ficha-limpa. Voto é vida.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 25/07/2010.

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