MÉDICO E CIDADÃO – Diário do Nordeste

Edmilson Barros de Oliveira nasceu em Redenção, ante-sala do Maciço de Baturité, em uma quarta-feira, 10 de setembro de 1912. Parte em 1924, olhos argutos para 12 anos de idade, em trem Maria Fumaça da Rede Viação Cearense e, depois de treze léguas, chega a Fortaleza. Desce na Praça da Estação. Toma um bonde em direção ao centro da cidade. Vinha para estudar e ser gente no Colégio Cearense, dirigido à época pelo Irmão Paul Marcellin, ali na Duque de Caxias, que era estreita e de pedra tosca. Bebeu conhecimento e água mineral no bebedouro do “Cearense” e lembrou-se de seus pais, João Cassiano de Oliveira e Nídia Barros de Oliveira. Vou honrá-los, prometeu.
Fortaleza, nesse tempo, possuía uma pequena malha de bondes elétricos, poucas ruas pavimentadas, 90 mil habitantes e seu perímetro central terminava na Duque de Caxias, onde os maristas do Padre Champagnat, fincaram-se em um terreno de 7.600m2. Pois foi no “Cearense” que Edmilson se preparou até o ano de 1928 para os duros embates que viriam a seguir.
Em princípio de 1929, toma um navio na Praia de Iracema e se dirige a Salvador, onde ingressa, com mérito, na Faculdade de Medicina da Bahia. Volta médico e inicia sua prática em Baturité. Daí à posteridade, a vida do Dr. Edmilson foi prova de que a lhaneza e a educação – transmitida aos filhos, todos formados- são diferencial. Com D. Alda formava casal com vida associativa e isso os tornou figuras destacadas da sociedade. Dele fui paciente. Dos filhos, sou amigo. Amanhã, 10, filhos, netos, bisnetos, familiares e amigos estarão orando, louvando Edmilson e Alda, dando provas de que a saudade não desaparece com o tempo. Se amor há.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/09/2012.

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