MENOR E CRIME – Diário do Nordeste

Segundo as estatísticas e as ONGs, cerca de 30 mil jovens, entre 12 e 24 anos, são mortos a cada ano no Brasil. O crescimento demográfico do século XX foi desordenado. Graças à posição da Igreja não se permitiu o controle de natalidade. Por falta de ação do Estado e do elevado grau de pobreza, parte significativa da população brasileira, egressa do interior, ocupou favelas e margens de cursos de água das áreas urbanas. A grande maioria da juventude está sem rumo, perspectiva e é presa fácil para ser cooptada por criminosos.
Só no Rio, existem 5 mil adolescentes participando do crime organizado. Estas considerações refletem a nossa indignação quando um adolescente mata, a troco de nada, alguém que contraria a sua vontade ao não entregar, de pronto, o carro ou os bens que porta. Um exemplo, entre tantos: esta semana, um professor, ao lado de sua mulher, foram mortos por um grupo de adolescentes que já tinha cometido delitos. Chegava em casa de carro, apenas isso.
O Estatuto da Criança e do Adolescente é “coisa de Primeiro Mundo”, dizem alguns. Mas, no Primeiro Mundo, os adolescentes são julgados como adultos. Não criticamos a lei ou sugerimos mudanças, mas cobramos do Estado a sua aplicação na tão falada ressocialização que, na prática, não existe. Não sabemos se a redução da maioridade resolveria, mas sabemos que as famílias precisam ser assistidas, quando seus filhos são recrutados para ingressar na marginalidade. O pai de um dos acusados do crime do professor, disse: “foi difícil para mim, mas assim que soube, fui lá dizer que era meu filho porque acho que ele deve ser detido”. A que ponto, chegamos.
Enquanto isso, no Congresso Nacional, corre a ideia de dar estabilidade a 300 mil funcionários que entraram no serviço público sem concurso, fruto do apadrinhamento. Esse caos nacional não é só aéreo, é subterrâneo, pois está nas entranhas de uma ação política nefasta que perdeu o senso do limite e da compostura. Millôr Fernandes lançou um desafio: qual a diferença entre político e ladrão? Uma pessoa respondeu: o político, eu escolho e o ladrão me escolhe. Enfim, existe uma diferença.

João Soares Neto,
cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 19/08/2007.

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