MEXENDO NO CUPINZEIRO – Diário do Nordeste

O cupinzeiro é o modelo dado pelo naturalista Richard Conniff ao descrever o que acredita ser uma forma arquitetônica perfeita. Para ele – não “mental”, mas quiçá gozador – o cupinzeiro possui arcos delineados, escadas espiraladas, túneis, acomodações indicando a posição social de cada cupim e até creches. Não estou brincando, ele fala em sistema de ventilação com entradas e saídas de ar e até no controle da umidade que se mantém em 90%. Não riam. Estamos no dealbar de 2012 e creio que há anos andam mexendo adoidado no cupinzeiro.
Deixo claro que meu conhecimento de Física é pífio. Nos anos 90 até andei fazendo curso sobre a Teoria do Caos e da Complexidade. Anotei, li, perguntei, ouvi e continuei a não entender o sistema caótico que se pressupõe auto-regulável. Por minha formação básica em ciências sociais desconfiava, desde sempre, das pessoas crédulas a acharem ser o mundo criado para dar certo e que tudo é muito simples. Nós seríamos os complicadores. Sei que nos EEUU e no lado norte do mundo ocidental há cientistas laureados assoalhando que o mundo, a natureza ou seja lá como chamemos, é repleto de sistemas complexos que encontram sempre uma forma de organização.
A auto-organização complexa que seria a matriz para as grandes empresas e governos parece não estar mais dando para o gasto neste cupinzeiro de instabilidades e incertezas. Olhe para o seu mundinho e veja se há o “estalo” espontâneo em que inundações param de ocorrer por excelentes obras públicas de contenção, políticos têm coerência, banqueiros padecem e todos trabalham porque estão felizes. Sei não.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 08/01/2012

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