O Brasil (Rio, Fortaleza e Salvador) receberá a seleção do México em junho para a Copa das Confederações. Você sabe algo mais sobre o México além de estereótipos? O México foi descoberto pelo espanhol Hernan Cortés, em 1519. Ele desembarcou na pequena ilha de Cozumel sendo recebido pelo chefe dos astecas, Montezuma, como a reencarnação do deus Quetzalcoatl, que havia, segundo a lenda, ido para o Oriente. A matança propiciada, a seguir, provou que Cortés não era o deus esperado, mas o invasor para dominar. A Independência ocorreu em 1810.
O México não fica na América Central, mas na América do Norte. É belo, diversificado e exuberante. É referência em crescimento econômico, cultura, educação e esportes. Tem indicadores positivos. Vejam: 93% da população mexicana – de 115 milhões – é alfabetizada, 95% dos domicílios têm água potável e 85% têm rede de esgotos. A expectativa de vida é de 77 anos, o governo gasta 5% com educação e o turismo propicia a entrada de 21 milhões de pessoas/ano. É detentor de três prêmios Nobel. O Alfonso García, o da Paz, em 1982; Octavio Paz, em 1990, o de literatura; e, em 1995, Mario Molina, o de Química. No futebol, faz tempo que os canarinhos não os vencem. A Universidade Nacional – UNAM, fundada em 1551, tem quase 300 mil alunos.
O novo presidente, Enrique Peña Nieto, advogado, 46 anos, assumiu em dezembro passado, pleno de ações. É do PRI-Partido Revolucionário Institucional, que retoma o poder após os governos de Vicente Fox e Felipe Calderón. No México não há reeleição, mas mandato de seis anos. Você sabia?
A mídia internacional, com poucas exceções, só destacou, nos últimos anos, a luta de Felipe Calderón contra os cartéis do narcotráfico, sem dar ênfase que eles têm origem na América do Sul e se destinam aos Estados Unidos. O México, por questões geográficas e da sua larga fronteira com a nação de Thomas Jefferson, é o caminho natural, especialmente através de passagens a vau pelas águas do Rio Grande. O presidente Peña Nieto está reorganizando o Ministério da Segurança Pública para coibir os narcotraficantes e mostrar ao mundo quem são os verdadeiros mandatários dos cartéis que lucram bilhões por ano. Eles ficam, quem sabe, talvez na outra margem do Rio Grande.
João Soares Neto,
Cônsul Honorário do México.
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/01/2013

