MOMENTOS DE GLÓRIA DO FUTEBOL LOCAL – Jornal O Estado

“O futebol não é uma caixa de surpresas.” JSN
Na noite de quarta-feira, 29.04.2015, o Ceará Sporting Clube ganhou, com merecimento (empate e vitória), o título de campeão da Copa do Nordeste, enfrentando o “Bahia”, em Salvador e em Fortaleza.
Alencar Pinto, Elias Bachá e Padre Gotardo, já falecidos, espargiam, do além, energias que se somaram às dos alvinegros de escol Luiz Campos, Eulino Oliveira, Antônio Góis e Evandro Leitão, entre milhares de outros. Deu certo. A conquista, com planejamento e uma equipe com brio e categoria, avalizou novo ânimo ao futebol cearense que, de há muito, saiu da elite do “soccer” brasileiro e do regional.
Na tarde-noite de domingo, 03.05.2015, em jogo eletrizante, o “Fortaleza”, com a “raça” dos velhos tempos, conseguiu vencer o Campeão do Nordeste, seu maior adversário. O jogo foi belo, não fora o “frango” que Deola aceitou. O “Ceará”, quase ao final, foi para cima e, Assisinho, ex-Fortaleza, vibrou ao fazer o gol que daria o penta do “vovô”, em gramado. Os tricolores contestam o penta judicial.
Faltavam menos de três minutos e a mística daquelas camisas, cunhada por Blanchard Girão, não aceitava o placar. Do infinito, Mozart Gomes, Francisco Bezerra de Oliveira, Otoni Diniz, José Raymundo Costa e Ney Rebouças espargiram graças que se irmanaram aos pensamentos de Silvio Carlos, Renan Viera, Osmar Baquit e Jorge Mota. Todos apelando ao Pai eterno. Foi aí que aconteceu o gol de Cassiano para o Fortaleza Esporte Clube, campeão estadual de 2015. Muitos, nos silêncios de seus quartos, por, temeridade, não irem mais aos estádios, riram e choraramZ

A alegria dos resultados justos do “Fortaleza” (uma vitória e um empate) deve ser compartilhada com o eco glorioso do “Ceará” ao vencer o “Bahia”, em título nordestino, que dá ao nosso futebol a oportunidade de respirar e pensar em futuro lisonjeiro, apesar de integrantes das torcidas organizadas, que complicam. A festa esportiva virou tumulto pela insegurança da estrutura física que vê o estádio apenas com senso estético e fonte de renda.
Acontece que a paixão, misturada ao álcool e à força incomum das torcidas organizadas no Brasil, causam, de forma repetitiva, grandes estragos. Domingo passado, não só em Fortaleza, mas em outras cidades, houve invasões de campo. Destaco o jogo entre Internacional e Grêmio. Basta pesquisar nas redes sociais e encontrará outros fatos degradantes. A favor do Brasil, diga-se que os “hooligans” britânicos são mais vândalos que os nossos.
Os bons desportistas – a grande maioria – compram ingressos, levam familiares, sofrem, amam, têm capacidade e vontade de ajudar os clubes para os quais torcem. Fica essa certeza, passadas as emoções de domingo, 03 de maio de 2015.
Por outro lado, objetivamente, creio que os presidentes do “Ceará”, Evandro Leitão, e o do “Fortaleza”, Jorge Mota, de cabeças frias, devem, com bom senso, ter o descortino de procurar, neste momento, aumentar o número de sócios torcedores, além de providências outras para que ambos os clubes possam dar novas alegrias a seus torcedores, com segurança física
Parabéns merecidos aos jogadores do “Ceará” e do “Fortaleza”, aos seus milhões de torcedores de fé e às duas diretorias. O futuro sempre começa amanhã. É preciso criar um novo tempo para o futebol cearense. A Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado precisam engajar-se neste movimento que dará “recall” de imagem à Fortaleza e ao Ceará. Segurança nos estádios e apoio estratégico. É hora.
De público, assumimos o compromisso de ceder espaço digno, equitativo e gratuito aos dois clubes, para que as direções dos alvinegros e tricolores, em exposição rica e simultânea, mostrem os seus antigos e os atuais troféus conquistados aos torcedores. Aproveitem o ensejo e encetem campanha para conquistar novos sócios torcedores, sem rixa e com pensamento elevado, para dar sustentação ao já alcançado neste ano de 2015. Há um longo caminho ainda. Ao clube que, nessa exposição, obtiver o maior número de sócios torcedores, serão ofertados diploma e um admirável troféu, o de “Maior Clube com sócios torcedores”. O futebol no Brasil é mania entranhada que não vive apenas das copas do Mundo.
Como falei dos torcedores violentos (os hooligans) da Inglaterra, socorro-me de outro inglês, o William Shakespeare, quando na peça “Vida e Morte do Rei João”, diz: “Um cetro arrebatado com violência precisa ser mantido por processos iguais ao da conquista”. Será?

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 08/05/2015

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