NATAL SEGURO – Diário do Nordeste

Não se preocupe. Não vou falar de preservativos. Tampouco aconselhar que coma, beba ou deixe de fazê-lo. Neste Natal a preocupação é com a violência em geral e contra os que andam de carros, sejam pequenos, financiados ou carrões. Não vou escrever nada novo. Apenas uma visão pessoal do que li como dicas. Morando em casa ou apartamento, verifique o ambiente ao sair. Não ande -nunca- de vidros abertos, mesmo fumando, não tenha ar e more em lugares muito quentes. Tranque as portas. Não fique ligado ao som, seja notícia ou música. Ponha os retrovisores e os olhos para funcionar. Fique alerta. Infelizmente, não se pode dar carona. Tampouco, sem piedade, socorrer acidentados no meio da via. Se baterem no seu carro e o prejuízo for pequeno, não pare, mesmo que anotem a placa. Se olhar sempre para os retrovisores verificará se um mesmo carro o segue. Dobre, sem sinalizar. Aumente a velocidade. Cuidado com flanelinhas e motos, não dê chances. Se for o caso, pare enviesado. Se o pneu furar, vá até a um posto de combustível ou pare junto a uma delegacia, quartel ou supermercado. Pneus e aros há aos montes. Sua vida é única. Não cole adesivo ou marcas nos vidros e na lataria do carro com símbolos de profissões, entidades, ou com o seu nome e o da pessoa querida. Se puder, não dirija à noite. Os serviços de tele táxis são confiáveis e até livram você das multas. Se, mesmo assim, tiver o azar de ser assaltado, fique calado, conte carneirinhos, e só fale o que lhe for perguntado. Não discuta, não barganhe, não grite ou chore. Não levante os olhos. Mire o painel e veja quantos km o seu carro tem. Não dê uma de valente, mesmo que o assaltante seja franzino e a arma não esteja visível. Lembre-se que tudo aquilo vai passar. Depois do susto, vá a uma delegacia, preferencialmente com um advogado amigo, e registre a ocorrência. Desculpe os lembretes. As cidades nos forçam a egoísmos para sobrevivermos da violência e do trânsito caótico. Procure gostar de ficar em casa, familiarize-se. Livros são bons companheiros, melhores que noticiários de televisão falando de assaltos e mortes. Cuide-se. Feliz Natal, mas duvide de Papai Noel.

João Soares Neto,
da Academia Fortalezense de Letras
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/12/2008.

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