Aprendi a mexer em computador meio sem jeito. Fiz um curso há muito tempo na IBM. Era em uma sala gelada e o computador, imenso. O formal professor usava o inglês-ferramenta e a linguagem era Cobol. Sai mais tonto que entrei, porém ficou alguma coisa. Comprei um micro – que ainda era grande – e fui mexendo aqui e ali, mais errando que acertando. O tempo passou, vieram novos computadores e as limitações diminuiram. Hoje sou ainda um mero usuário, sem método e sem fundamentação teórica (agora, tudo tem que se basear “em fundamentos”, o que também não sei bem o que significa). Como não tenho outro jeito, vou fazendo, errando e tentando aprender. Tenho até uma assistente de sobreaviso, rápida e preparada, a quebrar os meus galhos – e de amigos – quando o computador para e parece dizer que não sou inteligente. Ligo, ela vem e resolve, na maioria das vezes. E ainda diz: só isso? Pois bem, de tanto mexer, pesquisar, catar ensaios, livros e que tais, convivo com a Internet e o Google, o “buscador” que responde tudo ou quase tudo, mas dá também informações furadas. Se não sei, por exemplo, sobre Chopin, escrevo a palavra e mando procurar. É aí surge o problema: tudo o que é Chopin aparece. Assim é preciso refinar a pesquisa, dizer qual Chopin e eu escrevo Frederic – sem acentos – Chopin, pois ele não trabalha com acentos nas palavras. Brevemente, sim. Enquanto isso, não coloco til, cedilha, circunflexo ou qualquer tipo de acento. O que estou dizendo é o básico, óbvio. Voltando à pesquisa: procuro o que desejo de Frédéric Chopin, o compositor polonês, amigo do pintor Delacroix e de Liszt. Leio e seleciono o que interessa. Assim, não pensem que sei muita coisa. Pesquiso e, às vezes, encontro. Também ocorre de procurar um fato e descobrir outro ou me perder no imenso labirinto. Há, pasmem, bilhões de páginas na Internet. Mas, o que eu queria mesmo dizer é que no próprio Google descobre-se o “google earth”. Earth é terra, em inglês. O “google earth” é um programa que se serve de satélites com recursos para mostrar fotos aéreas de tudo no planeta Terra. É verdade. Tentei e apareceu a cidade onde moro, vista de cima. Tem uma mãozinha que você vai comandando com o “mouse”, e ela lhe leva para onde você quer. Pois não é que vi onde trabalho e moro e até os calçadões das praias. A propósito, li há algum tempo, que as tecnologias para exploração das profundezas da internet são consideradas questões e ferramentas de Estado. Paranoia ou medo? Valha-nos Deus.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18/07/2008.

