NÓS E O CAOS – Diário do Nordeste

A herança portuguesa nos fez prolixos. Os de outros sangues, aqui aportados no fim do século 19 e nas primeiras décadas do 20, incorporaram, em parte, a nossa falação. Quase todos gostam de falar muito, especialmente os que não sabem articular e os que não nada têm a dizer.
Hoje, neste começo da dita primavera em país quase todo equatorial, estamos sendo bombardeados nas mídias, nas ruas e em nossas casas com a “grande crise brasileira”. Ela nada mais é que a crença de que alguém ou alguns poderiam ou podem resolver os nossos problemas. Na verdade, ninguém se importa com eles, havemos de curá-los com nossas próprias forças. Ninguém de Brasília nos ajudará.
A cada dois anos somos chamados a votar. Tudo o que está posto é o produto das nossas escolhas. Se erramos, não podemos transferir a culpa para administrantes havidos como parlapatões, despreparados, embusteiros ou atrapalhados.
Nós, os eleitores, os escolhemos e criamos o mito sobre salvadores da pátria. Não os há. A pátria é a soma das nossas invidualidades, dos nossos egoísmos, das nossas omissões, da sempre busca por algo cobiçado e que não nos pertence. É o ter mais a qualquer preço, mesmo sem carecer.
Agora, a crise está instalada. Nada há a ser consertado, exceto nós mesmos. Não esperemos uma concertação política, pois a “práxis” nos mostra o contrário. Não há jato suficiente para lavar todas as sujidades expostas e as ainda não afloradas, Brasil afora. Hoje, nos cabe não potencializar o caos auto imposto. Chega de conluios e tramas. Basta de cassandras.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/09/2015

Sem categoria