O romance “Nostromo”, a melhor obra de Joseph Conrad, polonês naturalizado inglês, foi escrito em 1904. A edição que li, de 1991, tem tradução e posfácio de José Paulo Paes.
A história acontece em país imaginário na América do Sul e narra, entre outros fatos, episódio separatista, em meio a conservadores, militares e também interesses.
O país imaginado, “Costaguana”, é apresentado da forma idílica como os europeus viam a luxuriante e distante América do Sul do fim do século 19. Políticos, militares e estrangeiros em luta contra a ditadura, provocando dissidência separatista a invadir a cidade de Sulaco, para formar novo país.
Conrad cria história aventureira, tece considerações sobre a política, a corrupção, os amores necessários, os dramas pessoais e o compadrio entre empresas anglo-americanas e o governo que se deixa roubar.
O saque é grande que Nostromo, “homem do povo”, capataz de ‘chata’ carregada de prata, se dá bem e a encalha em ilha próxima.
Diz que a barcaça naufragou e, vez por outra, vai buscar, à noite, lingotes de pratas. Não deve enriquecer rapidamente.
Em uma das idas, morre por tiro errado. J.P. Paes, no posfácio, diz: “Outra fonte contextual do romance é a doutrina econômica de Adam Smith, segundo a qual o interesse privado, conquanto obedeça só à lei do egoísmo, traz paradoxalmente benefícios coletivos ao se aplicar a atividades de produção”.
A epígrafe do livro eleita por Conrad é de Shakespeare: “Céu tão borrascoso não se desanuvia sem uma tormenta”. Agora, há raios, chuvas e tormentas.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 19/04/2015.

