Ubiratan Aguiar é o mais novo acadêmico da Academia Fortalezense de Letras. Pulsou em mim a alegria de trazê-lo a esse delírio coletivo, a pátria dos que se lançam ao desafio de expor os seus escritos aos olhos dos outros. Não importa seja prosa, verso ou prosa poética. O que conta é a coragem de abrir suas veias e deixar que o sangue se perpetue no papel.
Ubiratan Aguiar chegou ontem ao Palácio da Luz, matriz das academias de letras cearenses e palco nos últimos duzentos anos dos mais importantes acontecimentos do Ceará. Um Palácio que, de propriedade privada, passou a bem público e agora abriga os que trabalham com palavras e quimeras. A Academia Fortalezense de Letras, nascida neste século, pelas mãos de Mathusaíla Santiago e José Luís Lira, e, por tal razão, compromissada com o futuro, mas ajustada na sua sedimentação com a argamassa da história, a água do passado e até do limo que exsuda destas paredes de tijolos dobrados. Na solenidade eu perguntei, como se fora um padre, pastor ou rabino em uma cerimônia de casamento: – Ubiratan, você exerce atividade literária? – Você está interessado no bom funcionamento da instituição? – Você quer se unir a ela? Ele respondeu sim a cada pergunta. Mas o fez com a linguagem da alma.
De minha parte, afirmei que você exerce atividade literária e que seu histórico de vida não deixa dúvida quanto ao compromisso de zelar por nossa Academia. Por essa razão tomei a iniciativa de indicar seu nome, obtendo total acolhida dos nossos pares. Ubiratan Aguiar é madeira de lei: um cedro menino transplantado para Fortaleza e daqui — onde suas raízes foram fundeadas — esgalhou-se pelo Planalto Central, esse quase sertão vermelho cujo ar rarefeito parece incidir, muitas vezes, na razão coletiva. Mas Ubiratan sempre teve um plano piloto pessoal que o conduziu pelos caminhos da decência. E o faz segundo uma cronologia simples, verdadeira e consistente.
O que dizer de um homem que, por méritos pessoais, consegue iniciar sua vida política como vereador, alça-se a condição de deputado estadual, secretário de Estado e chega já na qualidade de Deputado Federal, a ser Constituinte, Presidente da Comissão de Educação e, por duas vezes, é eleito Primeiro Secretário da Câmara Federal?
A sua história pessoal já está inscrita nos anais da Câmara Municipal de Fortaleza, da Assembleia Legislativa do Ceará, da Câmara Federal e nos arquivos eletrônicos e julgados do Tribunal de Contas da União. Queremo-lo – disse eu – Ubiratan, em outra nova luta coletiva: a de fazer este Palácio da Luz ainda mais esplendoroso em conteúdo, formas e cores. Garboso na sua restauração necessária e do seu entorno.
Saiba, por fim, que a dúvida que persiste na indagação que sempre faz ao fim de seus versos não deixa de ser uma inquietação poética. E quem escreve especialmente versos, estabelece uma relação de caráter dialógico ao procurar fazer um acerto de contas com o seu eu profundo, medos, sonhos, história, signos, símbolos e mitos. Se esse sentimento chega com a maturidade, que seja bem-vindo.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 14/03/2008.

