Alguém precisa ter lucidez nesse mar de incertezas provocadoras. Foi preciso o Ministério Público, a Polícia, a Receita e o Judiciário, todos federais, criarem, sob a forma de forças tarefas, um conjunto de ações para aclarar o que todos sabiam ou intuíam, mas não se sabia da grandeza dos “malfeitos”.
Enquanto as redes sociais são, teoricamente, anônimas, os meios de comunicação, por natureza, precisam pesquisar da forma mais profunda possível – se isso é crível – e divulgar. Os desocupados, os pagos e os invejosos são a principal fonte alimentadora das redes sociais e das badernas, a se antecipar aos meios de comunicação tradicionais.
A imprensa vem mudando de forma exponencial. Empresas trocam de donos. Outras nascem, como a CNN e a Fox, para citar apenas duas, cobrindo o mundo inteiro, com correspondentes, superando as antigas agências de notícias internacionais distribuidoras de notícias do seu jeito e modo. Aqui, a Globo, a Record e a Band seguem o mesmo viés.
O judiciário federal brasileiro, da primeira instância, é hoje conduzido por pessoas nascidas na segunda metade do século passado. Nessa época e logo a seguir, prosperavam revoluções e ditaduras na América Latina, o muro de Berlim caia. Etnias diferentes, em guerras intestinas, faziam a geografia da Europa apagar nomes de países e surgirem outros. A Guerra fria amornava.
Nós todos, jovens, adultos e maduros, ficamos meio sem referências depois que o Vale do Silício e outros centros geradores de informação e do conhecimento começaram a desvendar o que acontecia por trás dos sistemas de segurança e de finanças dos países e dos bancos. Os bancos, quase todos, seriam malfeitores.
Em 2008, por exemplo, o mundo foi sacudido, em todos os hemisférios. Não era uma marolinha, era o aclaramento da ganância de bancos a inventar nomes bonitos para fazer as mesmas tramoias, quiçá hediondas. “Prime”, “Sub-prime”, “Hedge” e tantas outras falaciosas denominações. “Default” geral.
Oito anos depois, neste final de 2016, estamos apreensivos com o amanhã. Não um amanhã hipotético, mas o verdadeiro. O dia que se segue ao hoje.
Voltemos ao passado. A democracia, oriunda da Grécia – onde o trabalho devia ser feito por escravos – nos deu a base que, muitos séculos depois, foi sendo aprimorada. A independência americana não conseguiu acabar com o escravagismo, tampouco a Revolução Francesa alcançou a liberdade, a igualdade e a fraternidade. O continente africano, países da Ásia e o Oriente Médio foram explorados, até à exaustão, por nações ditas civilizadas.
Hoje, a barbárie impera. As guerras, as guerrilhas e as múltiplas ameaças de confrontos são resultados não só de questões de geopolítica, mas alimentadas pelos lobbies de armamentos, dos suprimentos, dos blindados, veículos de transportes, das comunicações e do aparato que uma guerra, pequena ou grande, requer.
Volto ao Brasil. Este tão espoliado país urdiu a imbecil audácia de fazer, em tempos duros, uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. A FIFA, entidade que cuida do futebol, era – e talvez ainda seja – uma arapuca de embusteiros de casaca. O Comitê Olímpico também sofre investigações.
Implodimos estádios prontos para seguir os padrões FIFA. Meu Deus. A par disso somos, de dois em dois anos, obrigados a votar. Uma eleição, sabem o Tribunal Superior Eleitoral e os tribunais eleitorais estaduais, custa bilhões de reais. É hora de desamamentar essa máquina triste.
Como não aceitar o povo revoltado, mesmo que açulado? Como conviver com 12 bilhões de desempregados? Como desmantelar facções criminosas a controlar o tráfico de drogas? Como derruir o carcomido sistema político com dezenas de partidos, todos vorazes?
Nós, o povo, devemos trincar os dentes, acreditar na paz e na saída honrosa do trabalho, esse que nos engrandece como pessoas. A justiça deve fazer a parte dela, com apoio nosso. Chega de parasitas e malfeitores.
João Soares Neto,
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 09/12/2016.

