O BRAZUCA E O ANO NOVO

Há muita informação no mundo e as notícias – ou fofocas – correm céleres. Quando não saem nas televisões e jornais locais ou nacionais, os de fora mostram sem dó, nem piedade. Acho que foi por tal razão que, de repente, um brazuca me liga e pergunta se não soube da história do FHC no Forte de Copacabana, no Posto Seis no Rio de Janeiro.
Segundo ele, auto banido do Brasil, a festa a que o nosso presidente compareceu parecia um” baile da Ilha Fiscal” com tendas, champanha francesa, uísque escocês, vinhos de várias origens, acepipes e iguarias de todas as espécies.
Havia castas: 100 muitos amigos, 200 menos amigos e 200 militares, em espaços separados. Pois não foi que o vento moleque de Copacabana resolveu acabar com a festa, derrubar tendas, apagar a luz e colocar em alerta os seguranças que fizeram o que sabem: dar pancada em fotógrafos e jornalistas.
A grande imprensa não deu detalhes, mas não teve como esconder tudo. A coisa esteve feia e o nosso presidente viu o ano nascer no escuro, cercado por seguranças, sem telefone funcionando (o que é paradoxal) e ouvindo a truculência a poucos metros. E o que é pior é que tudo era pago pela Embratel, uma empresa nossa que virou transnacional. Nos Estados Unidos seria caso de cadeia, bradava ele. E desligou a ligação.
Sei que o nosso brazuca, ou brasileiro desterrado, pode ter complexos, arengas pessoais ou exagerado, mas já é tempo dos que são empregados por nós para dirigir a coisa pública, por tempo determinado, começarem a pensar e agir de outra forma. Afinal, empregado tem que prestar contas do que faz, sob pena de perder o emprego.
Neste ano dos três zeros é tempo de reflexão para que, nas próximas eleições, os zeros passem a ser nota. Os brasileiros já estão recuperando a sua memória e, por certo, saberão exercitá-la no próximo pleito municipal e, em 2002, escolherão deputados, senadores, governadores e um presidente que tenham compromissos com os novos tempos que estão surgindo e uma postura pública mais coerente com a nossa realidade.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 09/01/2000.

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