Esta semana fui ao centro. Era o menino da Major Facundo que conhecia as famílias Pinheiro, do prof. Edmilson; Rocha, do Sr. Campoamor; Vidal, do Sr. Luiz; Siqueira, do Sr. Geminiano; Barreira, do prof. Dolor; Maia, do livreiro Luís Maia; Carvalho, do prof. Valdevino e outras. O significativo eram as pitangas, o Farias Brito, o Ginásio Municipal, a Igreja do Carmo e o Posto Citroën.
A pouco passos ficava a Praça do Ferreira, com seus fícus-benjamim, a velha coluna, aleias e bancos. Acolhia ônibus, carros de corrida, jornaleiros, engraxates, o Excelsior Hotel, o São Luiz, a Leão do Sul, o Mundico, a Flama e o Abrigo Central, idealizado por Edson Queiroz. Na esquina, a Rotisserie e, em seguida, a Igreja do Rosário “dos Pretos”, assim descrita e pintada por Descartes. Ao lado, o Palácio da Luz, com duas alas, a do governo e a residência oficial.
Passa o tempo, já universitário, aluno de Parsifal Barroso, Governador do Ceará, lá fui deixá-lo por vezes, em meu Anglia. Só havia um carro oficial, um Ford preto, G-1, que cumpria outras tarefas. O amigo Rui Filgueiras e os colegas Alfredo Couto e Gerard Boris, eram guapos oficiais de gabinete.
Décadas giraram. Voltei, pela Fortalezense, ao casarão, agora centro da cultura, e o vi sujo e grafitado. Pedi ao então Presidente da Casa, prof. Murilo Martins, permissão para pintar o seu exterior. O fiz com a ajuda do José Macedo e do Corpo de Bombeiros. Depois, reunimo-nos com arquitetos, engenheiros e historiadores. Foi elaborado um projeto para restauro e afins que tramita no Ministério da Cultura. Preservar é preciso.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 02/12/2012

