“Não sou especialista em Brasil, mas uma coisa estou habilitado a dizer: não creiam que mão de obra barata ainda seja uma vantagem”. Peter Drucker, 1909-2005).
Há uma propaganda de chocolate veiculada na televisão a fazer galhofa acerca do descobrimento do Brasil. O cenário é uma nau. Um marujo furta chocolate e Pedro Álvares Cabral se dá conta- erradamente – ter chegado às Índias, motivo básico de sua viagem, por ser recebido por silvícolas a quem oferece tal guloseima.
Já vai longe essa trilha de deboche com a nossa pátria. Há piadas, concretudes e descasos que nos movem a dizer ser preciso transformar o país. O estado geral é precário. Todos nós somos a herança recebida dos pais e a convivência com os diversos grupos dos quais participamos, desde a infância.
Artigo atual, assinado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, diz: “O Estado, no Brasil, além de ineficiente, ficou grande demais, e a sociedade não consegue sustentá-lo. Aproximadamente 4% do PIB é gasto com a folha do funcionalismo”.
Essa constatação é mais um alerta para que a burocracia não seja o entrave ao desenvolvimento. Há, desde muito tempo, pessoas a deter cargos comissionados e, mesmo mudando os chefes, se consideram posseiros do lugar, do conhecimento e tudo fazem para mostrar atos e serviços que, na realidade, deveriam constar das rotinas de trabalho.
Por outro lado, a “Human Rights Watch”, Ong de direitos humanos, por seu CEO, Kenneth Roth, afirma: “No Brasil, é preocupante a discussão sobre a redução da maioridade penal e o novo modelo de estatuto que restringe o conceito de família a casais heterossexuais”. Com todo o respeito, Mr. Roth foi mal informado. Vive-se hoje uma sociedade plural, oportunizando a todas as pessoas permanecerem identificadas tais como são, sem a necessidade de fingir ou sublimar. Isso vale para todas as minorias.
Existem radicalismos. Ele é um dos elementos de uma sociedade que precisa ouvir todas as tendências. Do entrechoque pode sair um país renovado, não conspurcado por uma só forma de pensar e agir. A discussão sobre a maioridade penal não é só um problema nosso. Os Estados Unidos, país do Mr. Roth, são muito mais severos com os infratores menores que as nossas autoridades policiais e judiciais com os delinquentes aquém dos 18 anos.
Este final de ano, a partir desta semana, será uma quadra inovadora para o Brasil, pois há que se resolver problemas institucionais, sem deixar que a economia e a empregabilidade esmaeçam os esforços de uma sociedade que se comporta com responsabilidade, mesmo com a eclosão de movimentos em latitudes diferentes.
Voltando ao início. A História e o Brasil não mais comportam galhofas e arrebatamentos. Pede-se a razoabilidade que deve presidir o sistema democrático. Ser brasileiro foi o nosso destino ao nascer. Que se transforme, para todos, em oportunidade para servir. Chega de bazófia, estamos precisando de ações, falas curtas de detentores de cargos públicos, regras claras, mais trabalho capaz e menos exposição.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05/08/2016.

