A zona não aromatizada, burgo noturno de sem tetos no deserto centro da cidade, ficou iluminada na noite de terça, 20 de agosto. No que restou do velho Palácio da Luz, palco de tantas lutas políticas, a sua donatária, a Academia Cearense de Letras, comemorava 119 anos.
Não foram anos pacíficos; houve dissensões, reagrupamentos, consolidação, até chegarmos ao hoje, não tão fácil para quem só tem a oferecer cultura, nada mais que isso.
Dizia Goethe que “não se possui o que não se compreende”. Fazer letras ou cultura em solo em que poucos dão atenção ao que só pode ser entendido, se bem lido, não é tarefa simples. Ali, homens e mulheres, de misteres definidos, expõem-se em prosas, versos e ensaios para aquietar suas almas, dar vazão ao conhecimento e mostrar as nossas grandezas e iniquidades.
Plenilúnio, Sânzio de Azevedo, quarenta anos de Casa, foi o orador oficial e soube, de forma didática e brilhante, desfolhar as razões das homenagens a integrantes da ACL.
Uma placa de prata ao ex-presidente e atual presidente de honra, o poeta Artur Eduardo Benevides, bem como o prestígio de receber, juntamente com o professor Pedro Paulo Montenegro, a medalha Thomaz Pompeu. Relembrou os centenários, neste ano, dos escritores F. Alves Andrade, Fran Martins e João Clímaco Bezerra; os dois últimos, meus ex-professores, para honra minha.
Com lhaneza, o presidente Augusto Bezerra deu vez e voz à professora da Universidade de São Paulo (USP) Elza Miné para apresentar “Porta de Academia”, de Moreira Campos. E a porta cerrou.
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 25/08/2013

