Conta a História que, em Belém de Judá, nasceu um menino. Filho de José, um velho carpinteiro, e de Maria, uma jovem virgem. Ele, Jesus, nasceu em meio a festas pagãs do mundo hebraico. Faziam celebrações para louvar a Saturno, o deus da fartura ou da colheita, e a Mitras, o deus da luz e do sol. Esse menino era de uma pobre família nazarena e nasceu numa manjedoura ou gruta em noite alta em um 25 de dezembro. Consta que uma estrela brilhante desceu dos céus a anunciar a sua vinda. Ele foi crescendo e se descobriu diferente, pois pregava o amor, a fraternidade e a união, em meio a discórdias já existentes em seu tempo. E tornou-se homem. Saiu de Nazaré e foi trabalhar na Galileia com Zebedeu, ajudando-o a construir barcos. Depois, deu início a uma pregação nova. Seria anarquista, sábio ou patriota? O que ficou claro é que pregava o amor ao próximo, o perdão e dizia que para se viver eternamente seria preciso morrer. Falava de ressurreição e de um paraíso comandado por Deus, o senhor supremo. Condenado por blasfêmia, apedrejado e crucificado, aos 33 anos, em meio a dois ladrões comuns, sua morte foi fato restrito a uma província da Judeia, dominada então pelos romanos. Sua importância, século a século, foi aumentando por tradição oral e pelos seus seguidores, escritos dos evangelistas e pela consolidação do Cristianismo, no final dos anos 300 da nossa era. A contagem do tempo, no mundo ocidental, se faz a partir de seu nascimento, há 2009 anos, agora comemorado. A Ele e à sua Família reverenciamos neste Natal que se deseja cristão, ecumênico, amoroso e de congraçamento. Cada pessoa se dê conta de que possui alma ou espírito, aura ou juízo crítico a nos balizar frente às duras questões do dia-a-dia e do viver. Diz uma pastoral da juventude que a vinda de Cristo foi espontânea, gratuita e generosa. Ele veio sem ser pedido. Não olhava para o merecimento, mas redimia pelo amor. E não pedia nada em troca. Dessa forma, fazer o bem não seria contraprestação, mas dever de consciência e de amor ao próximo, àquele a quem devemos chamar de irmão. O Natal sempre é tempo de festas, confraternização, mas pede, igualmente, reflexão, revisão de princípios, e a tomada de consciência de que somos finitos, transitórios, embora acenados por perspectivas eternas, se justos. Feliz Natal.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 25/12/2009.

