O GRITO DE DOLORES – Jornal O Estado

A Independência do México, país a que sirvo como Cônsul Honorário, não foi pacata como a do Brasil. Lá, houve um longo conflito. Aliás, a História do México é plena de guerras. Ao contrário, o nosso país até faz revoluções sem grandes perdas humanas. O conflito que levou à Independência do México teve várias nuances. O D. Pedro I do México foi um sacerdote católico, o padre Miguel Hidalgo y Costilla, dito Miguel Hidalgo. No México, como nos outros países hispânicos, o primeiro nome de família – ou sobrenome – é o do pai. O nome da mãe, embora conste do registro de nascimento, não é usado. Assim, Miguel Hidalgo foi o protagonista do “Grito de Dolores”, no dia 16 de setembro de 1810. Esse grito eclodiu dentro de uma simples Paróquia do lugar Dolores Hidalgo, no hoje estado de Guanajuato. Como se vê, no próximo ano de 2010, o México completará 200 anos como país independente e, certamente, terá muito que comemorar, pois hoje é o mais importante e o mais culto país de língua hispânica das Américas. Voltando ao fio da história: não bastou o grito para que o México, então Vice-Reino da Nova Espanha, ficasse independente. Oito anos se passaram para a poeira assentar e terminar com a guerrilha que acontecia nas serras do sul daquela pátria. De 1810 para cá, o México passou por outras tantas lutas, sendo a mais cruenta a que travou (1846-48) com os Estados Unidos quando perdeu metade de seu território. Eram mexicanos os territórios da Califórnia, Nevada, Texas, Utah, Novo México e parte do Arizona, Colorado e Wyoming. Por outro lado, essa perda significou, paradoxalmente, o caminho para a libertação dos escravos americanos, pois no México já não mais havia escravatura. Voltando ao hoje, nesta quarta-feira, 16 de setembro, data nacional mexicana, o Consulado Geral do México no Rio de Janeiro, dirigido pelo intelectual e diplomata de carreira, Andrés Ordóñes, abriu no Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, a mostra “Cumplicidades” em que realça o centenário de nascimento da pintora Frida Kahlo e o cinquentenário da morte de seu companheiro de tintas e vida, o singular e grande artista Diego Rivera. São “36 fotografias que mostram as paixões compartilhadas por ambos os artistas, suas cumplicidades, durante mais de 25 anos de relação”. Por fim, como lá se diz:” Viva México!”

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 18/09/2009.

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