No Brasil, a pessoa com mais de 60 anos é idosa. Hoje, 12,6% da população é idosa, segundo recente Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD). São 25 milhões de pessoas. Sinal que estamos vivendo mais.
Entretanto, o idoso brasileiro vem aturando desatenções e violências: 37,1% sofrem por negligência do Estado e/ou da família; 27,6% reclamam de violência psicológica; 21,3% padecem de abuso financeiro; e 13,6% passam por violência física. Messias era aposentado. Seu enteado o obrigou, depois de surras, a assinar procuração para que ele recebesse a sua minguada pensão do INSS. Eu interferi. Sofreu até morrer. A polícia não gosta de briga de família. Se pobre, então…
O Estatuto do Idoso sugere a proteção do Estado, mas a família é a maior geradora de abusos psicológicos e físicos. Os especialistas sabem que o Disque 100 – para denúncias – é usado, mas muitos têm medo de dar o nome com medo de represálias de parentes.
Por outro lado, os tais créditos consignados, criados para beneficiar idosos a juros baixos, foram abertos apenas para alguns bancos que se empanturraram de dinheiro.
Depois, mudou. Mas quase nenhum banco respeita o limite de juros a 2,1% ao mês. Há a “obrigação” de taxas e seguros desnecessários, pois são vinculados às fontes pagadoras, sem risco. Assim, os idosos iletrados viram presas fáceis, e muitos são induzidos por familiares a fazer mais empréstimos, em bancos diferentes.
Os bancos não conferem o endividamento anterior. E haja confusão. Leram, Aécio, Dilma e Eduardo?
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/06/2014

