A derrubada do voo MHI17, da Malasya Airlines, por míssil terra-ar, semana passada, levou-me a pensar quando e como a União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas – URSS, pujante na guerra fria com os EEUU, deixou de ser a grande dona de imenso território da Eurásia. No segundo semestre de 1991, Michail Gorbatchev e Boris Yeltsin empreenderam luta violenta pelo poder. Tudo está no livro “Boris Yeltsin – Biografia Política”, escrito por Vladimir Solovyon e Elena Klepikova, escritores russos residentes nos Estados Unidos. A versão em português é da Rocco, 1993.
Encontrei o livro em meio à bagunça das minhas estantes. A capa tem a foto de Yeltsin com a mão direita sobre a esquerda (seria um sinal?) e o seu olhar triste emoldura a cabeleira branca. Em 3 de maio de 1991, o Pravda, jornal soviético, colocava Yeltsin como o principal opositor de Gorbatchev. Os acontecimentos de 19 a 21 de agosto de 1991 foram até o fim do ano, decretavam o fim da URSS e o surgimento da Rússia. Perestroika e Glasnot.
Reli o livro e não vi nome de Vladimir Putin, atual dirigente da Rússia e confrontador da Ucrânia, nação tornada independente. Com a nova Rússia abrolhou uma economia de mercado com rápidas fortunas. Hoje, com o risco de sanções dos EEUU e Europa, bilionários russos estão temerosos com a posição de Putin na Ucrânia. A Rússia vive o dilema da alta popularidade (87%) de Putin com a anexação da Crimeia. Volto ao voo MH17 e me pergunto o que justifica o disparo desse míssil. O que fizeram as 298 pessoas para serem alvos de tanta estupidez? No que isso vai dar?
João Soares Neto
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/07/2014

