No próximo domingo poderá chover ou fazer sol. Depende de onde você esteja. No próximo domingo poderá haver alegria ou tristeza, depende do que você fizer e desejar alcançar. No próximo domingo haverá esperanças ou choro. Esperanças para uns, outros chorarão.
É assim com todos os dias. O próximo domingo não será diferente. Os dias são semelhantes. Nós é que fazemos a diferença. E você saberá fazer a diferença?
Nós temos a mania de reclamar dos outros. De dizer que a culpa é sempre do outro, mas será que fazemos bem a nossa parte? Será que somos honestos conosco mesmo? Ou estamos tão acostumados a fingir que, nas horas difíceis, não sabemos ser nós mesmos, aquele que imaginamos correto, bom e confiável?
Se for honesto com você mesmo, com a sua história de vida, o seu sentimento de civismo, o seu senso de justiça, certamente o próximo domingo será um dia feliz.
Não será um dia feliz se você utilizar o domingo próximo para destilar ódio e pensar em mera vingança. Será apenas um dia de cão, pois não há como se ter paz com sentimentos pouco nobres.
Ainda há uma semana pela frente. Descubra-se. Revele a você mesmo o que o incomoda e procure as suas próprias respostas. Esqueça tudo o que ouviu dos outros, ouça apenas a sua razão. A razão não tem ódios ou paixões. Ela tem discernimento.
Utilize o domingo próximo para dar as suas respostas. Serão seis respostas silenciosas. Sem medo ou ódio, elas terão a capacidade de reverberação maior do que você pensa. Olhe-se no espelho e diga, em voz alta, o que vai fazer no próximo domingo. Ouça a resposta com os seus olhos. Faça isso só, a única testemunha deverá ser a sua consciência.
Você é mais importante do que imagina. Só quem pode sonhar os seus sonhos é você e não há melhor forma de transformar os sonhos em realidade que o uso de sua capacidade de julgamento. Tire um tempo para pensar. Pense em tudo o que está acontecendo e em tudo o que poderá acontecer. Você tem seis armas. É o seu exército, mas não seja um terrorista ou um franco-atirador. Use-as como o faria para defender a sua família. É bom não esquecermos que o domingo, segundo nos ensinaram, é o dia do Senhor e ele deseja que todos sejamos irmãos, uma família.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 29/09/2002.

