O QUE É A PÁTRIA BRASIL? – Jornal O Estado

Depois de amanhã, 7 de Setembro, comemoraremos o Dia da Pátria. O que é a Pátria Brasil? Com certeza, a Pátria não é a realização de uma Copa do Mundo de Futebol que custou bilhões de reais e deu no que deu. Tampouco é a forma caricata e nomes estrambóticos como alguns candidatos a deputados federais e estaduais se apresentam nos atuais programas gratuitos de televisão. Sequer é a partidarização que alguns órgãos de comunicação adotam de forma velada para destruir as imagens de candidatos a governadores e à presidência da República. Tampouco.
A Pátria passa longe disso. Sabe-se, por óbvio, que é a nação em que cada um nasceu. Além disso, é também o albergue dos que, sendo estrangeiros, resolveram optar por sua cidadania, ali residindo, constituindo família, produzindo saberes ou riquezas. O patriotismo é simples, bastar amar e respeitar. O amor e o respeito se manifestam no comportamento cidadão, nas atitudes profissionais, no acatamento às leis, na reverência aos símbolos nacionais (bandeira, brasão e hino), na preservação e no cuidado do uso de suas riquezas naturais no subsolo, na posse racional e útil do domínio territorial, do modo correto de aproveitar açudes, lagoas, rios, transposições, hidrelétricas e da apropriação devida do mar territorial. Além disso, a crença num país melhor, menos desigual e sem preconceitos.
“Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor a terra desce” é uma parte mínima do escrito por Joaquim Osório Duque Estrada na tessitura do texto do Hino Nacional, musicado, depois, por Francisco Manuel da Silva. Você já sonhou com um Brasil sem complexo de vira-lata? Você tem amor à terra que o abriga, alimenta e dá o seu sustento? Atente para esta outra parte do Hino: “Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso e o teu futuro espelha zssa grandeza”.
O que você está fazendo pelo futuro do País? Ou você já entrou no time dos que acreditam que ele será sempre – como dizia nos anos 1940, Stefan Zeig-o país do futuro? O futuro se faz com o presente de cada um de nós. Depende de nossas atitudes, da educação continuada, da não indiferença pelo que é sério e carece da nossa participação certeira. Eu poderia estar usando esse espaço para platitudes, mas isso não me conforta. Todos poderemos agregar valor ao país que recebemos dos nossos pais ou,se imigrantes, elegemos para morar.
É bom atentar, neste mês pré-eleitoral, para o que já dizia no século passado o jornalista Sérgio Porto, através de seu personagem Stanislaw Ponte Preta: “a prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento”. Não deixemos que isso seja a constante. O Brasil tem jeito, sim. Cada voto é uma flecha. É bom que seja certeiro, sensato, correto, judicioso, para não reclamarmos depois.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 05/09/2014.

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