Recebo telefonema de pessoa amiga referindo-se a tópico que abordei último domingo neste DN: a baixa qualidade do ensino brasileiro. Pede que fale “do engodo que são, em grande maioria, os chamados MBAs, espalhados pelo Brasil”. Na verdade, MBA é, originariamente, Master in Business Administration, curso de dois anos de mestrado, criado nos Estados Unidos e disseminado pelo mundo. Profissionais de nível superior, independente de suas formações, se dispõem a fazer esse mestrado para concorrer no competitivo mercado de trabalho de gestão que cobram de engenheiros, médicos, economistas e outros, capacitação e uniformização de linguagem técnica para suportar a dureza da vida profissional. A Harvard Business School era a irradiadora desses cursos. Entretanto, a crise da economia americana em 2008 produziu quebras de empresas e demissões, com alerta para a mudança dos seus currículos. Segundo lista do jornal inglês “Financial Times”, a Harvard caiu para o 3º. lugar no ranking. Patriotada à parte, o jornal escolheu a London Business School(junto com a Wharton/Penn) como a primeira da lista dos 20 melhores cursos de MBA do mundo. Entristece-nos o fato de nenhuma universidade brasileira haver sido incluída. São dez americanas. França, China, Índia e Espanha têm duas. Inglaterra e Suíça ficaram com uma, cada. Nesta semana, Sabine Righetti, jornalista da Folha, escreveu a reportagem “Para Inglês Não Ver”, lamentando que o nosso ensino superior só agora esteja se internacionalizando. Diz ser a língua inglesa básica para a interação de alunos e professores. Sei, por exemplo, que a Unifor está propiciando intercâmbios com universidades estrangeiras. O que ela faz é abrir a mente de professores e dos jovens para o mundo de agora, ao mesmo tempo em que estabelecem redes sociais para seus futuros profissionais. Voltando aos MBAs brasileiros, muitos são prosaicas pós-graduações – sem reprovações – realizadas em alinhavados fins de semana com estudantes de olho no relógio. Assim, são formas rápidas e fáceis de ganhar dinheiro de pessoas que ainda acreditam em diplomas, sem cuidar da sua formação continuada e ajustada à mutante realidade.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 13/02/2011.

