O QUE HÁ DE NOVO APÓS O ANO NOVO? – Jornal O Estado

Há o que você tiver feito de diferente. Promessas foram feitas, está firme ou não vai cumpri-las? Ler este caderno Linha Azul é algo admirável. A palavra linha dá sinal de ser uma reta (a linha do trem), mas se a prolongarmos, imaginariamente, ela fará curvas sobre o planeta Terra até se encontrar com a ponta inicial. Lembra da Linha do Equador? Linha indica também a expressão “andar na linha”, isto é, fazer as coisas certas. Mas o segredo não é só fazer as coisas certas. O segredo, de verdade, é fazê-las no tempo certo. Acontece que só se sabe qual o tempo certo depois que ele passa. E depois que passa não tem mais graça. A linha, além disso, é parte da trama de um tecido, assim como as pessoas formam o tecido social, este que está contido neste caderno leve e que abre o fim de cada semana mostrando algo do que já aconteceu ou louvando, em sua primeira página, fatos ou pessoas. O caderno além de linha tem o nome azul. O azul pode ser a mistura do ciano com o magenta. É uma cor primária, calma, aquietada e que dá enlevo às pessoas. Configura a noite clara, lua plena, decorada com estrelas e constelações. Mas, todas as cores têm nuances, o azul tem um sem-fim. Nos enxovais de criança o azul representa o sexo masculino. Mera convenção. Em inglês, entretanto, a palavra azul (blue) pode, igualmente, significar tristeza, melancolia ou o nosso banzo herdado dos africanos. Os mesmos que, nos Estados Unidos, inventaram o “blues”, gênero musical melancólico, cantado ou tocado com expressividade, a partir de sua origem natural em cânticos nos templos religiosos, antes e após a libertação dos escravos. Assim, estar blue pode significar estar triste. Mas o jornal não pensou nessa hipótese, quer celebrar o fim de semana de forma alegre, prazenteira, com registro fotográfico, crônicas leves, artigos, colunas e muito mais sobre as pessoas, a matéria prima essencial deste caderno. O jornal cotidiano sabe de seu existir efêmero: um dia, horas, minutos, dependendo da paciência e interesse de cada leitor. Por tal razão, o caderno Linha Azul se faz agradável para a leitura de um público multifário espelhando a sociedade que retrata. E jornal – ou o caderno – só faz sentido quando passa de mão em mão, comentado, elogiado, criticado, recortado e até pisoteado. O ex-presidente Lula, em seus amuos, dizia não ler jornal para não ter azia. Mera metáfora para dizer que tinha adversários na imprensa. No primeiro dia, após Brasília, em seu apartamento no bairro Santa Terezinha, em São Bernardo do Campo, SP, lá estava ele com óculos, camisa regata e jornais.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 07/01/2011.

Sem categoria