Julho de 63. 77 jovens universitários brasileiros aprovados, por concurso, entre milhares, chegam a Nova Iorque. Passam uma semana na Columbia University e vão para a Harvard, Mass. Participaríamos ali do curso sobre “Vida e Instituições nos EUA”. O coordenador, Henry Kissinger. Entretanto, não é do curso que interessa falar, e sim de como encontramos o país naqueles tempos. Era o governo Kennedy, com quem estivemos, em visita oficial, na Casa Branca. Viviam-se dias estremecidos. E os que, no grupo, estudavam direito, souberam-no da boca de Bob Kennedy, Ministro da Justiça, em diálogo franco e não breve.
De todas as partes negros marchavam a Washington, DC. Vimos alguns deles com famílias em restaurantes de estrada. Entravam, em bloco, no sanitário, com uma só ficha. Pobres. Sofridos. Estavam jogando as suas esperanças no fim da discriminação racial. O que aconteceu a seguir todos sabem, Martin Luther King, em 28 de agosto, faz o notável discurso: “Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e corresponderá em realidade o verdadeiro significado do seu credo…”
Era a porta fendida para novos tempos. Mas, logo em 22 de novembro, JFK seria assassinado. A Lei dos Direitos Civis viria com Lyndon Johnson, em 1964. Tal como Lincoln, em 1865, Bob Kennedy e Luther King ainda seriam eliminados por suas lutas, ambos em 1968. Nesta quarta-feira, 28.08.2013, um presidente negro, Barack Obama, falou no Lincoln Memorial, local onde Luther se consagrou diante de 250 mil pessoas.
O sonho virou realidade.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 01/09/2013

