Vez por outra, cansado de dirigir nesse trânsito maluco, acomodo-me ao lado de um taxista e puxo conversa. Esta semana, sem querer, descobri que um taxista, dono do próprio táxi, que começa às cinco da manhã e trabalha até quatro da tarde. Fatura, em média, cinco mil por mês. Disse-me que gostava muito do “Tirulipa”, filho do Tiririca, deputado federal e palhaço de profissão.
Afirmou que o Tirulipa parodiava uma música sertaneja do Luan Santana, a quem fui apresentado naquele instante, com versão não cabível de transcrição neste espaço. Fez questão de cantar com os gestuais nada inocentes do filho do palhaço – e deputado – e, agora, macaqueador de cantores.
Disse-me ainda o condutor que a sua casa, própria, possuía garagem para dois carros, pois a mulher fez fisioterapia, possui emprego de meio expediente e atende a clientes particulares. Daí ter dado um “Celta” zero para ela. Estimou, sem rodeios, que ganhava mais do que ela. Entretanto, pensava em desistir da profissão, pois estava com sobrepeso e sabia de colegas acometidos por pressão alta, AVC e até infarto, sem falar nos riscos do trânsito e os assaltos.
Obedecia aos semáforos e os seus táxis, este e os passados, nunca bateram. Por tal razão, conseguia bom preço de revenda. Seu sonho: vender a vaga mais o carro para comprar caminhão/guindaste que ”renderia bem mais”.
Bastaria fazer cartões de visitas, contatos com cooperativas e ficar em casa ouvindo Luan e que tais, a espera de chamadas. Argumentei que em toda atividade há muita concorrência. Ele: “se tivesse medo não moraria no Brasil”. Concordei. Boa sorte.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 21/06/2015

