Foi com respeito e reverência que a Galeria BenficArte reuniu, ontem, os reconhecidos Ascal, Claúdio Cesar, Emília Porto, Hélio Rola, João Jorge, Raimundo Netto, Sergei de Castro e Vando Figueiredo, na 3ª Edição da Exposição coletiva “Os Oito de Maio”, em homenagem ao Dia do Artista Plástico, nessa data comemorado. Nesse mesmo dia, em 1945, o mundo respirou em paz. A 2ª. Guerra acabara. Milhões de mortos, especialmente judeus, alemães e russos. Os destroços foram removidos, cidades reconstruídas, mas a mente humana e os interessem ainda engatilham conflitos. Para dar cor ao gris dessa nuvem diabólica os artistas se insurgem.
Somos filhos do sol, desta terra ainda – não de todo – aprontada para as sutilezas das artes plásticas. Somos, igualmente, teimosos em perseverar, não como Mecenas, mas como indutores do conhecimento em configurações e entretons. Isso nos dá alento para reunir artistas que não vêem o mundo com olhar vadio, mas o interpretam, deformando, reformando, mas nunca se conformando com o “status quo”.
Seria a arte uma doença? Se a resposta for sim, ela é antiga, endêmica e incurável. Não há como dissociar a arte, especialmente as artes plásticas, da evolução da humanidade, da contaminação global, da contação de suas histórias pérfidas ou magnificentes.
Os artistas que estão reunidos não são diletantes. Seja a construção abstrata de Emília Porto, a revolta ecológica de Helio Rola, os metais retorcidos e soldados em formosura por Ascal, a natureza ideal de Cláudio César, a inquietude de Vando Figueirdo, os traços gordos de Raimundo Neto, o jeito meio sem jeito de João Jorge Melo e a reclusão auto imposta pela poesiarte de Sergei de Castro.
São profissionais, artistas tímidos/vaidosos de suas artes verdadeiras, mas modestos nesta cidade em que paredes recém construídas e pintadas se enfeitam com gravuras impostas por mercadores de pseudo bom gosto e quadros com falsificações grosseiras de artistas expirados.
Os Oito que aqui estão representam faces do pensamento artístico local do final do breve século que foi o 20 e se embebedam de tintas para entender este novo século em que o imediato tecnológico se traduz na negação do detalhe que é o olhar perdido/ encontrado sobre as artes plásticas.
Há também oito promessas/perspectivas jovens: Charles Vale, Diego Sann, Felício da Silva, Galber Rocha, Geovane Queiroz, Júlio César, Ricardo Vieira e Samuel Bendix que despontam no Curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFCE.A escola industrial transformada em universidade operacional. Eles são a convicção que a arte nunca morre, apenas muda de mãos. Eles são o futuro, logo, logo.
Olhe, mire, pisque, use colírio, fotografe, filme, pois o exposto merece que a sua retina o fixe e o seu sentimento o absorva. Repare os consagrados, lado a lado, sem discriminação, com os universitários das artes visuais. Somos assim. A arte permite isso e a adesão de todos, consente. Tudo pode ser visto, gratuitamente, até o dia 31 de maio na Galeria BenficArte. Vale ver, pois como queria André Malraux: “O que é arte? Somos levados a responder ser aquilo por meio do qual as formas tornam-se estilo”.
João Soares Neto
não é crítico de arte
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 10/05/2013

