PAIS DE AGOSTO – Diário do Nordeste

Filhos são sempre benevolentes com as mães. Quase sempre são duros com os pais. Agora, neste agosto, filhos estarão acompanhando seus pais pela televisão e saberão se falarão verdades ou mentiras. Eles, em casa, conhecem os pais de chinelos e bermudas.
Ouvem seus resmungos nos telefonemas e sabem, pela convivência, que não há clima para conversa.
É um entra e sai constante de figuras que se trancam na sala para diálogos duros com os seus pais e até insultos mútuos eles trocam.
Os pais não os recebem, os de paletó, de chinelos e bermudas. Fazem a barba, vestem roupas engomadas e tentam não parecer preocupados.
Os filhos sabem que seus pais estão ansiosos, dormem pouco, fumam muito.
Alguns bebem, e não desgrudam os olhos nos canais de televisão, revistas e jornais que, muitas vezes, pisoteiam.
Falam mal de jornalistas e não aceitam os pedidos de rezas que as suas mães, avós de seus filhos, dizem estar fazendo.
Começou no dia 02, há quase uma semana, e não se sabe ao certo quando e como vai terminar. Tudo ainda é uma incógnita.
Juízes, assessores, advogados, réus, procuradores, testemunhas e jornalistas bisbilhoteiros deambulam pelos corredores da Corte que se acredita suprema e, todos, tentam dar a impressão de que estão tranquilos.
Ninguém está.
São reféns da história que ainda se escreve e ficará para sempre. Os filhos têm boa memória e sabem, mais que todos, quem são os seus pais.
Aguardam. Aguardam.

João Soares Neto
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 12/08/2012

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