No próximo domingo, em São Paulo, milhares e milhares de pessoas irão às ruas para participar da Parada Gay. Diz a imprensa que esse evento é o maior do planeta, o que poderia, de princípio, fazer crer que naquela cidade há a maior concentração de homossexuais do mundo ocidental. O que não é provado, tampouco desmentido.
Sabe-se que nos orbes oriental e muçulmano ainda não existem a liberação explícita ou a aceitação da homossexualidade, tampouco as mulheres têm direitos civis iguais aos dos homens.No ocidente, entretanto, com políticos, profissionais liberais, celebridades e intelectuais declarada-ou mascaradamente – homossexuais, houve uma espécie de “libertação” dos seus desejos. A Parada é, então, o palco para extravasar. Nada mais que isso.
Foi um zoólogo americano, Alfred Kinsey, com ajuda de colegas, quem resolveu estudar, em 1948, o comportamento dos homens em relação ao sexo. Em 1952 fez o mesmo ao entrevistar 6 mil mulheres. Dessas duas grandes pesquisas saíram documentos e algumas conclusões em livros, criticados e elogiados. Eles formam, em conjunto,o “Kinsey Report”. Nesse documento, Kinsey e seus colegas resolveram estabelecer uma escala sobre a orientação sexual dos homens.
É preciso dizer que, como zoólogo, Kinsey havia, antes, pesquisado as vespas ou maribondos. Encantado com os resultados, publicou essa escala que, de princípio, vai de 0 a 6, mas abre um “x” para os assexuados. Assim, o zero, ou 0, seria o hétero puro; o 1 seria o hétero, ocasionalmente gay; o 2 seria o hétero, mais do que ocasionalmente gay;o 3 seria a pessoa que é dupla, bissexual;o 4 seria o homo ou gay mais que circunstancialmente hétero; o 5 é dado ao homo que, às vezes, faz o papel de hétero; e o 6 seria o exclusivamente homossexual.
Como se vê, há uma gradação numeral, zoológica – ou animal – a nos levar a crer que a pessoa nasce ou adquire essas orientações até a sua puberdade. Daí para frente já está assinalada para a vida. Por conseguinte, ser homossexual não parece ser uma escolha, tampouco motivo de orgulho, censura ou objeto de cura, mas um desígnio genético e/ou de comportamento.
Francisco Daudt(www.franciscodaudt.com.br), médico que optou por ser psicanalista, afirmou, nesta terça, no caderno Cotidiano da Folha de SP, C2: “Ora, tenha a santa paciência. Se há uma boa razão para a homossexualidade não ser uma escolha, uma opção, e sim um destino, é o fato de que a presença de atração gay na mente é perturbadora para a maioria dos homens”.
Essa afirmação de Daudt é seguida de outra, complementar: “a) Nenhum tipo zero (o hétero genuíno) será perseguidor de gay, pois, para esses, a homossexualidade nem é assunto. Os homofóbicos estão trazendo para fora uma luta de dentro de suas cabeças: ‘Gay são os outros’. b) Apenas os 6 tipos (de Kinsey) saem do armário sem maiores problemas, pois não conseguem outro tipo de vida”.
Ele assevera ainda: “Ninguém, em sã consciência, entraria no supermercado das orientações sexuais e, animadíssimo, poria em seu carrinho de compras o destino de ser gay, com a gôndola de ser hétero ao lado”. Em resumo, viver é procurar aceitar o outro tal como ele o é, sem detratá-lo, criticá-lo ou endeusá-lo.
João Soares Neto
Cronista
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 31/05/2013.

