Ficaria feliz se partidos, coligações e candidatos a prefeito(a) e a vereador(a) lessem o que tento mostrar, como fortalezense, de pesquisa recente divulgada pelo IBGE. Trata-se do diagnóstico Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008 (IDS 2008). Recortem e discutam. A pesquisa baseou-se em 60 indicadores e demonstra desigualdades sociais, a errada distribuição de renda e os graves entraves em face de infraestrutura deficiente, péssimo atendimento ou carência nas áreas de saúde, educação e moradias nas 200 maiores cidades do Brasil.
Vou centrar o foco em Fortaleza. Os dados são de 2005. Fortaleza tinha então 2.374.944 habitantes e era a 5ª mais populosa do País. Esses habitantes geravam um PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços finais dividido pelo número de pessoas) de quase 20 bilhões de reais. O PIB a fazia descer para o 12º lugar entre as 200. Em seguida, o IBGE faz a análise do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, um identificador comparativo de alfabetização, educação, expectativa de vida, a soma das riquezas, natalidade etc. Ele é adotado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento-PNDU. Pois bem, considerando esses fatores, Fortaleza cai agora para o 148º lugar com um IDH de 0,717(a variação é de 0,0 a 1.0) o que a classifica como de qualidade de vida média. Entretanto, como é estatística, esse dado é falso, pois a distribuição de renda não se faz pela simples divisão aritmética da riqueza. Há alguns ricos, razoável classe média, bastante pobres e muitos miseráveis.
Para se saber melhor qual a renda ou PIB por pessoa (per capita) é preciso dividir o total do PIB pela quantidade de habitantes. Nesse aspecto, Fortaleza ainda cai mais, fica no 166º lugar. Então, essa é a realidade de Fortaleza. Nada de 5ª cidade, mas vergonhosa qualificação nos índices que valem. O restante é conversa fiada e o povo parece estar se cansando de blá, blá, blá. A hora é de mostrar soluções competentes, sem milagres de Photoshop nos programas de televisão e nos comícios ilusionistas. Voto é vida.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/07/2008.

