PARTIDOS E CARGOS – Diário do Nordeste

O Estado brasileiro quer regular tudo e acaba não cuidando de muita coisa. Os políticos são essencialmente práticos e não acreditam em teorias. Dane-se a reforma política tão falada e nunca implementada. Querem saber, objetivamente, onde estão verbas, obras, empregos, viagens e visibilidade para eles. Os dos executivos até tentam estabelecer planos, padrões, referências e limites a essa busca sem fim de benefícios e pressões de algumas empresas, sempre ao lado dos governos, quaisquer que sejam.
Imaginem, agora, o quanto estão sendo pressionados os novos prefeitos. Eles precisam de maioria nas câmaras municipais e isso só acontecerá se os vereadores ficarem ledos. Têm pleitos sempre maiores que a capacidade das urbes de absorvê-los. Uma legislação política esdrúxula permitiu a criação 30 partidos e seus dirigentes sabem o que pedir.
Pedem cargos no primeiro escalão, comissionados sem exigir formação e experiência, exceto alguns, e a profusão de vagas “terceirizadas”, sem seleção, mão-de-obra locada a empresas amistosas. Todos devem ter ficha limpa, lembrem-se.
Ninguém sabe, ao certo, quantos são os terceirizados nas 5.570 prefeituras brasileiras, sejam pequenas ou a da cidade de São Paulo. Os políticos têm tudo mapeado e inibem as tentativas sérias da imprensa e dos gestores para formar equipes eficazes. A sociedade, a que paga tudo, deve ter informações em nome da transparência com relatórios, infográficos e números. Cada Prefeito deve dizer como foi recebida a cidade e o que pretende, a partir da realidade, executar. Esclareça até março. Aguardamos.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 10/02/2013

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