PEDIDO DE AMIGO – Jornal O Estado

Um amigo, hoje aposentado, sem espaço para dizer o que sente e sofre, pede-me o favor de publicar o que escreveu. Por sabê-lo sério, reproduzo-o, sem censura, tal como o recebi: “O Banco Central do Brasil-BC deveria trocar as palavras “do Brasil” por “dos Banqueiros”. Eles mandam e desmandam, tudo muito civilizado, sem alardes. Quase todo ex-presidente do BC funda, depois da quarentena, um banco ou cria uma grande consultoria do outro lado do balcão. Ou seria do mesmo lado? Vou só dar um exemplo: o crédito consignado é uma empulhação. Trata-se de empréstimos feitos por bancos “amigos” a servidores públicos e/ou beneficiários do Instituto Nacional de Seguridade Social. Os bancos têm todas as garantias pois o empréstimo será, sempre, descontado da aposentadoria ou dos proventos de quem pediu o dinheiro. Quando falo em bancos “amigos” é porque, até bem pouco tempo, era – não sei se ainda é – necessária a autorização especial do BC. O que se viu, nesse Brasil afora, foi a proliferação de mini-agências, correspondentes, agentes, panfleteiros, homens-sanduíches apregoando a facilidade da obtenção desse malsinado “empréstimo consignado”. Sabe-se que hoje há 145 bilhões de saldo de crédito consignado. A consignação é a antiga anticrese ou, sendo mais claro, é o desconto obrigatório feito, mensalmente, na folha de pagamento dos devedores. O risco dos bancos, nessa operação, é igual a zero. Tudo é garantido na referida folha de pagamento. O juro que cobram é exorbitante e, na maioria das vezes, o aposentado é iludido com esclarecimentos dúbios. Nesses últimos anos, muitos tamboretes ou bancos prestes a dar golpe no mercado, se salvaram por conta dessa dádiva do governo. Espero que algum parlamentar venha a se insurgir contra essa imoralidade. Há milhares de famílias que foram enganadas e hoje não têm como sobreviver com o líquido (descontado o empréstimo) que recebem. Além disso, os incautos ainda eram – e são – seduzidos para receber cartões de créditos. Aí foi que o desastre aumentou. Em dezembro, o Banco Central resolveu impor restrições aos créditos acima de três anos. Agora, os cartões de crédito consignados dos servidores também têm limites acima de três anos. Você sabe quanto custa o juro de um cartão de crédito desses? É melhor não saber. O governo estabeleceu os juros do Consignado em 28% ao ano, mas quanto os bancos embutem de taxas de abertura de crédito, boletos, retenções e que tais? Pior do que isso só a selecinha do (her)Mano que conseguiu a façanha de quebrar o recorde mundial ao perder quatro penais consecutivos. Mas, tudo estará resolvido até junho de 2014, a preços baixos, prazos cumpridos ou compridos, o hino nacional tronituando. Logo depois, aguardem, virá a eleição para a presidência, a festa do réveillon, a posse e, como ninguém é de ferro, o carnaval”. Pedido atendido.

João Soares Neto,
Escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO JORNAL O ESTADO EM 22/07/2011.

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