Creio que o Brasil cumpriu a sua fase de grandiloquência. Agora é tratar de fazer o que já deveríamos haver realizado: esgoto nas casas que não os têm e nas que serão construídas. Um SUS mais eficaz, sem macas nos corredores; escolas com professores comprometidos, merenda escolar e segurança. Combate verdadeiro aos problemas decorrentes das drogas, e emprego para os quase 12 milhões de desempregados. O Brasil não precisa apenas de coreografia, mas entender de sua geografia humana, preservar os seus recursos naturais e estabelecer vínculos permanentes de benquerença. Estamos prontos para o entendimento que não dependa apenas dos outros. Deve partir de nós mesmos, com as limitações que herdamos e não soubemos, ainda, superar. Precisamos fazer o calçamento das ruas distantes, dar dignidade aos policiais que nos protegem e estabelecer canais de diálogos entre o povo e os agentes públicos. Menos suntuosidades, presunções, menos promessas, mais feitos simples que diminuam as diferenças que a educação precária não pode dar a milhões de patrícios. Devemos reconhecer as nossas faltas e combatê-las com coragem. Esse é um trabalho coletivo que começa pela atitude de cada pessoa na relação com o próximo. Somos todos perecíveis, o Brasil é permanente e precisa mudar o seu foco para pequenos serviços, pequenos gestos, menos indiferença e mais fraternidade.
Falo o que sinto, o que vejo no dia a dia, nas desabaladas motocicletas provocando acidentes graves a limitar pessoas. Nós, todos juntos e embaralhados, somos a raiz dos problemas e das soluções. Pés no chão.
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 27/08/2016.

