PLANEJAR FORTALEZA – Diário do Nordeste

Ao se falar em Plano Diretor, a ideia é: cabe a urbanistas. Sim e não. Os urbanistas são capitais, mas não há como pensar o futuro sem pessoas acalmadas pela experiência. Falo de geógrafos, engenheiros, advogados, políticos, sociólogos etc. As cidades não são dos prefeitos. Elas pertencem ao povo. Os que as habitam. Elas não podem ser alvitre de ideologias ou interesses. Devem se regular por variáveis complexas que configuram o uso e a ocupação do solo, posturas legais e, claro, ousar para o futuro.
Fortaleza foi planejada sem audácia, de forma ortogonal e o último plano diretor era apenas matriz adaptada de outras cidades. Há erros basilares. Agora, fala-se em um “Plano Mestre”, sem a clarificação de propósitos. O que se fizer deve ser pensado, não através de paixões, mas da ciência de que é preciso sair do quadrado e dar aos contribuintes a dignidade que merecem, seja pelo IPTU, ISS ou do ICMS, pois parte vai para o município.
Limpar uma cidade não significa retirar placas de empresas estabelecidas. Limpar uma cidade é escoimá-la de vícios estruturais e de empresas sedimentadas que se agregam, quase sempre, às novas administrações. Os vereadores são eleitos para legislar. Cada um conhece parte da cidade e, no conjunto, sabe o serpentário que ela é.
Ao Executivo cumpre ficar acima de picuinhas e ter clareza de ideias. Ousar. A av. Rio Branco, no Rio, a Av. Paulista, SP, e os Campos Elíseos, em Paris, são exemplos que, na época, desagradaram aos moradores, mas serviram de pulmões para “planos mestres” voltados para o futuro.

João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 06/10/2013

Sem categoria