Agora que o mundo está em crise, descobre-se que o Brasil responde por 4,7% do mercado de propaganda do mundo. É o sexto país em gastos de propaganda/publicidade: US$ 26,6 bilhões de dólares por ano. Esses dados são da pesquisa World Advertising Trend 2008. O que isso quer dizer? Que a soma do dinheiro consumido anualmente em propaganda no mundo corresponde a US$ 563 bilhões. Desse total, 34,0% são com mídia impressa; 46,0% com a Tv; 7% com a Internet; e 13% com rádio, cinema e outdoors. Esses números mostram o quanto é agregado de custo a um produto ou serviço para ele ter uma boa aceitação no mercado. Você, certamente, perguntaria: o que tenho a ver com isso? Muito, pois a propaganda não poupa ninguém. Um torcedor de futebol, que vai ao estádio ver o seu time jogar, estará também, por 90 minutos, sujeito às propagandas das empresas que o estão patrocinando, na camisa, calção e até nos meiões dos atletas. Ao ver a novela da Tv ou filme, somos sugestionados por marcas de veículos, roupas, utensílios e até locais. Isso é ‘merchandising’, propaganda disfarçada. Talvez seja esta a razão, por exemplo, pela qual você pode achar que a Petrobrás queima dinheiro patrocinando, entre outros, ‘roadshows’ pelo Brasil afora; um carro estrangeiro de Fórmula Um; espetáculos de arte, teatro e cinema; clubes e centenas de atletas de todos os esportes e categorias. Ora, se a Petrobrás é a única fornecedora de petróleo, qual a razão de tanta propaganda? Não seria melhor, você argumentaria, ter combustíveis mais baratos? A resposta fica com você, mas leia até o final. Lembre-se que até a Igreja Católica, quando se viu ameaçada por Lutero e pela Igreja Anglicana, resolveu, em 1622, por ordem do Papa Gregório XV, criar a sua ‘Congregatio de Propaganda Fide’. Em 1627, criou um Colégio de Propaganda para difundir a fé católica pelo mundo. Não sei se São Tomé, o que só acreditava no que via, é benquisto pelos que fazem propaganda, mas basta, entre outros fatos, somar o número emissoras de rádio e TV públicas, católicas e evangélicas para entender o jargão: “a propaganda é a alma do negócio”. E aí?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 14/12/2008.

