Públio Siro, poeta romano, certamente não seria hoje marqueteiro. Ele dizia: “Não prometas mais que possas oferecer”. Ora, o que se quer, independente de partido, coligação ou candidato (a) é gerar no espectador/eleitor um clima que o seduza. A sedução é feita de promessas, da maquiagem de dados, da falsa impressão de que falam livremente. Na frente dele (a)s fica um “teleprompter”, aparelho que dita e legenda suas falas, podendo sugerir inflexões de voz, postura e contração/descontração da face. Assim, são dirigidos como se atores em busca da perfeição na dicção, da simpatia que não tenham trazido do berço ou do entusiasmo que lhes possa faltar. Agências de propaganda transformam os candidatos majoritários em produtos e criam quimeras, rótulos, embalagens e certificados de qualidade.
Napoleão Bonaparte falava: “Sei, quando necessário, deixar a pele de leão para usar a da raposa”. Assim era na Revolução Francesa, assim é hoje no Brasil, pós Revolução de 64, e será no futuro. Nereu Ramos, velho político catarinense que chegou à Presidência, dizia que “a política é a arte de engolir sapos”. Se vivo fosse, diria mais, pois o (a)s candidato (a)s a senadores, presidência da República e aos governos dos Estados têm que engolir recomendações de jovens publicitários, maquiadores, estilistas pessoais, fonoaudiólogos e outros. Não bastam os contatos obrigatórios em debates, entrevistas, ruas, praças, estádios, auditórios e palanques. É preciso ficar atento ao detalhe que deve ser incorporado ao gestual para passar empatia e conseguir do eleitor a adesão ao seu projeto que sofre a interferência de técnicos que ditam números e datas.
Dessa forma, candidato (a)s são, a partir de agora e até o dia 30 de setembro, feixes de nervos ambulantes, a beira de estafas e, querendo ou não, rindo, abraçando, recordando vínculos e nomes, viajando, comendo mal, dormindo pouco, ouvindo pedidos e prometendo o que não podem cumprir. Nessa história da propaganda gratuita quem ganha mesmo são as emissoras de rádio e de televisão. O horário eleitoral custará em 2010, com isenções tributárias, 856 milhões de reais. Você sabia?
João Soares Neto,
escritor
CRÔNICA PUBLICADA NO DIÁRIO DO NORDESTE EM 22/08/2010.

